Colheita do café: respeitando a janela de colheita. | Tecnologia para agricultura - Blog da Jacto

Colheita do café: respeitando a janela de colheita.

A cafeicultura brasileira é reconhecida mundialmente por sua grandeza e competitividade não somente em quantidade de café produzido, mas também ao crescimento na oferta de cafés com alto valor agregado nas últimas duas décadas.

O cafeicultor vem investindo consistentemente em suas empresas rurais, principalmente em estruturas de pós-colheita, a fim de garantir a qualidade de seu produto e aproveitar o máximo o que o seu negócio pode oferecer.

Nos últimos vinte anos, a agronomia vem avançando muito em novos materiais genéticos, nutrição das plantas, controle fitossanitário, irrigação e outras tecnologias que envolvem a cafeicultura, de modo que a produtividade vem ganhando expressão e garantindo a sustentabilidade do setor no médio e longo prazo.

Vejamos no gráfico abaixo que, depois das geadas ocorridas em 1994, houve recuperação da lucratividade da atividade, já que os cafeicultores brasileiros passaram a investir fortemente na renovação de seus cafezais buscando o uso intenso e total da mecanização, fatores estes que garantiram a continuidade da produção de café no Brasil.

Também notamos, abaixo, que para manter este crescimento (projeção no gráfico nas próximas décadas de 20/30) necessitará da continuidade de todo o trabalho de desenvolvimento e implementação de novas tecnologias para o setor cafeeiro.

 

Novos desafios surgiram com a caracterização desta nova etapa da cafeicultura brasileira. As colhedoras precisaram aumentar o seu desempenho e a qualidade em suas operações, pois a produtividade cresceu muito e os sistemas transportadores dos equipamentos passaram a ser o “gargalo” na colheita do café, mas vencida essa etapa com a adequação das máquinas aos novos padrões de produção as limitações passaram de um local para outro e nesse caso o chamado pós-colheita.

Neste mesmo período de 20 anos, a tecnologia de pós-colheita não evoluiu na mesma velocidade e, com isso, uma fazenda que produzia antes 20 sacas beneficiadas por hectare passou a produzir em torno de 40 a 50 sacas, contudo, o percentual em área de terreiros e secadores não subiu muito.

A estrutura de pós-colheita do café é onerosa no que diz respeito à construção, manejo e manutenção. Com isso, muitos produtores não tem o dimensionamento necessário (estrutura de pós-colheita) de forma equilibrada para processar, da melhor forma possível, sua produção obrigando-se a extender a janela de colheita, ou seja, finalizar a colheita somente nos meses de setembro ou outubro.

Atualmente os cafés brasileiros ainda mostram índices consideráveis de fatores que depreciam a qualidade de bebida, quase sempre ocasionado por atrasos na colheita e, é comum que os frutos vão ao chão por uma associação de fatores como grau de maturação, ação de ventos e chuvas. Estes frutos tem sua qualidade comprometida diminuindo assim a lucratividade do cafeicultor devido à perda de valor agregado e aumento nos custo para recolher os mesmos.

Em maio e junho de 2013, houve altos índices de chuvas nas regiões cafeeiras que ocasionaram alteração na qualidade da bebida , mesmo com os frutos nas plantas. Isso só foi constatado com a prova desses cafés após a colheita, o que surpreendeu todo o mercado, já que houve desvalorização considerável desse produto.

O que queremos salientar aqui é a importância em se colher os frutos em seu ponto máximo de qualidade, com as frutas cerejas, mesmo que eles não se destinem a despolpa, assim será garantida a qualidade final do café e melhor ainda, seu valor agregado.

Técnicas como a “Colheita Seletiva” priorizam os frutos maduros já que é uma importante ferramenta para se manter o valor agregado do café oriundo da natureza. Este valor pode ser preservado realizando-se a colheita em até três passadas da colhedoras sem danos a produtividade. Outra vantagem da “Colheita Seletica” acelera o início da colheita, época que as estruturas de pós-colheita ainda estão ociosas de modo a otimizar os investimentos e garantir a qualidade desejada do café.

Quanto mais equilibradas estiverem o volume de café a ser colhido, colhedoras, logística e de pós-colheita, maior serão as chances de manter a qualidade máxima do produto e seu alto valor agregado, garantindo sua lucratividade superior e a busca constante deste tipo de café até sua fazenda.

 

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