Fim do êxodo rural? Entenda a volta dos jovens ao campo

Fim do êxodo rural? Entenda a volta dos jovens ao campo

O cenário rural foi marcado nas últimas décadas por um grande fluxo de pessoas do campo para as grandes cidades em busca de melhores oportunidades de emprego e maior qualidade de vida. Esse fenômeno ficou conhecido como êxodo rural. No entanto, nota-se uma nova tendência: um grande aumento de jovens no campo.

Diante dessa perspectiva, o agronegócio tem ganhado um novo gás para um desenvolvimento sustentável com base em profissionais qualificados que retornam ao campo com novos conhecimentos e recursos para otimizar ainda mais a produtividade rural.

Dedicamos este post para mostrar o que tem gerado esse retorno ao campo, apresentar um novo olhar sobre a agricultura e apontar os impactos para a economia local e nacional. Confira!

A saída do campo — os males do êxodo rural

Segundo dados do IBGE, na década de 60, a população rural representava 54% do total nacional. Hoje, esse valor beira os 15%. Isso é uma prova concreta do efeito migratório ocorrido ao longo das décadas em que pessoas do campo afluíam para os centros urbanos em busca de trabalho e melhores condições de vida.

A mecanização dos meios de produção foi apontada como um dos motivadores para a redução de vagas no campo. No entanto, há outros fatores. Por exemplo, especialmente os jovens são atraídos pela infraestrutura social presente nas grandes cidades, como acesso a serviços públicos, educação, saúde, mobilidade, telefonia, lazer etc.

A ida para a cidade, vista como uma solução, trouxe na verdade algumas consequências sociais negativas tanto para a população urbana quanto para a zona rural. Os grandes centros em sua maioria não estavam preparados para receber esse contingente de pessoas, tornando escassas as vagas de trabalho e dificultando ainda mais o acesso a serviços públicos.

O reflexo se vê na formação e no aumento dos bairros de periferia, que são geralmente carentes e sem estrutura. Por outro lado, percebe-se que muitos municípios do interior tiveram sua população drasticamente reduzida, causando diminuição na arrecadação de impostos, baixa na produção agrícola e escassez de mão de obra qualificada. Por esse motivo, alguns municípios, inclusive, deixaram de existir.

No entanto, o ritmo desse fluxo diminuiu bastante nos últimos anos. Na verdade, mulheres e jovens no campo têm ganhado cada vez mais espaço, um resultado de investimentos na educação e na tecnologia na zona rural, como veremos a seguir!

Os jovens no campo e a valorização do agronegócio

Com a saída dos jovens do campo para as grandes cidades, as famílias rurais enfrentaram um grande desafio em relação à sucessão do negócio: quem tomará conta da produção nas próximas gerações?

Ao encontro dessa necessidade, já é possível ver muitos jovens que saíram do meio rural para estudar agora retornarem, trazendo consigo incentivos à tecnologia e agricultura de precisão a fim de dar continuidade à produção da família. Assim, esse movimento migratório inverso se dá por dois motivos principais:

  • a criação de novas tecnologias aplicadas à prática agrícola, que otimizam a produção e trazem maior inteligência ao trabalho rural;
  • profissionalização dos jovens, filhos de produtores e agricultores, em cursos de formação técnica e superior no segmento agropecuário e administrativo.

Esses dois pontos são baseados na 7ª Edição da Pesquisa Hábitos do Produtor Rural, divulgada pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA). O levantamento revelou que a idade média dos produtores rurais é de 46,5 anos — 3,1% menor do que no estudo anterior. 21% desses profissionais são formados em cursos de educação superior, a maioria em agronomia, veterinária e administração de empresas.

Nesse cenário, observa-se cada vez mais a presença dos filhos, que trabalham junto com os pais na tomada de decisões da produção rural.

Esse foi o caso de Jeferson Ferraz, produtor rural na região de Santa Cecília do Sul, RS. Ele cursa Agronomia e visa usar seus conhecimentos para dar continuidade nos negócios da família. Segundo ele, “cada vez temos que nos atualizar mais para aumentar nossa produção, para dar uma boa qualidade de vida para as pessoas, bons produtos e sempre produzir mais”.

Esse quadro tende a se intensificar, uma vez que, hoje, os jovens no campo têm melhores condições de acesso à educação. Segundo o Censo Escolar de 2016, 10,2% das escolas com ensino médio estão na zona rural. Nos anos finais do Ensino Fundamental esse número chega a 30,1%.

Esses valores ainda escondem grandes deficiências no fornecimento de uma educação de qualidade no campo, mas são avanços inegáveis que têm contribuído para reduzir o êxodo rural e fomentar a atividade agrícola.

O impacto das novas tecnologias

Desde a mecanização da atividade agrícola, o trabalho no campo exige cada vez mais profissionalização. Hoje, se fala na agricultura 4.0, ou agricultura de precisão (AP). Esse conjunto de implementos, dispositivos e softwares são capazes de auxiliar os gestores a entender melhor sua produção e, assim, aumentar os resultados.

Todo esse aparato tecnológico tem não só atraído mais jovens para o trabalho no campo, mas também demandado novos conhecimentos e uma nova visão do agronegócio.

Telemetria, georreferenciamento, agricultura de precisão, agritechs e drones são apenas alguns dos termos que têm se tornado comuns no vocabulário das grandes propriedades rurais.

As técnicas e tecnologias ligadas à AP têm suscitado fortemente o interesse de pesquisadores, jovens no campo, produtores rurais e outros envolvidos no agronegócio, como prestadores de serviço, fabricantes de equipamentos agrícolas e consultores. Afinal, a adoção desses novos recursos tem causado um impacto estrondoso. A economia na aplicação de insumos e o planejamento estratégico da produção são duas das grandes vantagens desses novos instrumentos.

Não temos dúvidas de que o agronegócio vai continuar conquistando o coração de muitos outros jovens no campo. Com isso, apesar dos passos ainda tímidos, o êxodo rural tende a ser um fenômeno cada vez menos recorrente e significativo. Afinal, especialmente no Brasil, a agropecuária é uma atividade essencial para a economia e continuará sendo alvo de investimentos tanto do poder público quanto da iniciativa privada.

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