Pulverização segmentada para o manejo fitossanitário dos citros
A citricultura brasileira enfrenta um desafio duplo: custos de produção cada vez mais elevados e o avanço de pragas e doenças que ameaçam a rentabilidade do pomar. Uma saída para esse desafio está na pulverização segmentada.
De acordo com o Relatório Anual 2024 do Fundecitrus o greening foi responsável por 8,35% das perdas de produção no cinturão citrícola, contribuindo para uma redução estimada de 24% na safra 2024/25.
Já o Levantamento 2024 aponta que o avanço da doença elevou sua incidência de 38,06% em 2023 para 44,35% em 2024, com severidade média de 18,7%. Isso significa que o parque citrícola já perdeu cerca de 30% do seu potencial produtivo, com árvores doentes podendo produzir até 62% menos frutos em casos graves.
Quando o tema é custos de controle, estudos do Cepea (ESALQ/USP) indicam que o custo médio de produção da laranja pode chegar a R$ 54 mil por hectare na safra 2025/26, dos quais uma parte relevante está ligada à proteção fitossanitária.
Isso explica por que novas estratégias, como a pulverização segmentada, têm ganhado espaço: reduzem desperdícios, aumentam a eficiência e ajudam a equilibrar os gastos em um cenário de margens cada vez mais apertadas.
Mas como essa tecnologia pode realmente fazer a diferença na sua lavoura? Continue lendo para descobrir como a pulverização segmentada combate o greening e protege seus citros.
Pulverização segmentada: a virada de chave no manejo
A pulverização segmentada é uma estratégia que se baseia na aplicação localizada de defensivos, direcionando a pulverização apenas para as áreas onde a praga está presente.
A tecnologia empregada nesse método é capaz de identificar a presença de alvos ou condições específicas para acionar os bicos pulverizadores de forma seletiva.
Essa mudança de paradigma transforma o manejo fitossanitário em uma operação mais precisa.
E toda essa precisão é possível graças à integração de diversas tecnologias, como sensores ópticos, sistemas de georreferenciamento (GPS), inteligência artificial e bicos de pulverização com controle individual e corte de seções.
Os sensores detectam a presença da folhagem ou do alvo específico, e o sistema de controle aciona os bicos apenas quando há um alvo a ser pulverizado, o que minimiza o desperdício de produto, reduz o impacto ambiental e otimiza os custos de produção
No entanto, essa tecnologia deve ser vista como uma ferramenta dentro de uma estratégia maior, o Manejo Integrado de Pragas (MIP).
Ela complementa outras ações, como o uso de variedades resistentes, a eliminação de plantas doentes e o monitoramento constante do pomar.
Como as tecnologias de pulverização segmentada funcionam?
Imagine um pulverizador equipado com sensores que conseguem identificar a copa de cada árvore cítrica.
Ao invés de pulverizar continuamente, o sistema liga e desliga os bicos automaticamente conforme o equipamento passa por cada planta.
Para se ter uma ideia, em um nível ainda mais avançado, a tecnologia pode identificar áreas com maior infestação de psilídeos ou brotações novas, concentrando a aplicação nesses pontos específicos.
Isso garante que o defensivo atinja o alvo com maior eficácia, sem desperdiçar produto em áreas onde não há necessidade.
Além disso, a pulverização segmentada permite ajustar a dose do defensivo de acordo com a necessidade da planta ou da área, o que é conhecido como aplicação em taxa variável.
E essa adaptabilidade é fundamental no manejo do greening, pois o controle do psilídeo exige uma abordagem dinâmica e precisa, especialmente em áreas de borda ou em focos de infestação.
Benefícios da pulverização segmentada
A adoção da pulverização segmentada traz uma série de vantagens para o citricultor que busca um manejo mais eficiente e sustentável:
1. Redução de custos e desperdício
Ao aplicar o defensivo apenas onde é necessário, a pulverização segmentada evita o desperdício de produto, o que se traduz em uma economia considerável nos custos com insumos, que representam uma parcela importante dos gastos na citricultura.
Menos produto aplicado significa também menos abastecimentos e otimização do tempo de operação.
2. Maior eficácia no controle do psilídeo
A precisão da pulverização segmentada garante que o defensivo atinja o alvo com maior concentração e uniformidade, especialmente nas brotações e nas áreas de maior ocorrência do psilídeo.
Isso resulta em um controle mais eficaz do vetor, reduzindo sua população e, consequentemente, a disseminação da bactéria causadora do greening.
A aplicação direcionada minimiza a deriva e assegura que o produto chegue aonde realmente importa.
3. Sustentabilidade e menor impacto ambiental
Com a redução do volume de defensivos aplicados, há uma diminuição do impacto ambiental.
Dessa forma, menos resíduos químicos no solo e na água contribuem para a preservação dos recursos naturais e para a produção de alimentos mais seguros.
A pulverização segmentada alinha-se aos princípios da agricultura sustentável, que busca conciliar produtividade com responsabilidade ambiental.
4. Otimização da mão de obra e tempo
A automação e a precisão da pulverização segmentada permitem otimizar o uso da mão de obra no campo.
O operador pode focar em outras tarefas, enquanto o sistema realiza a aplicação de forma autônoma e eficiente.
Além disso, a redução do tempo de reabastecimento e a maior velocidade de aplicação contribuem para um manejo mais ágil e produtivo.
Tecnologias e implementação da pulverização segmentada
A segmentação só é viável graças a avanços em máquinas e sistemas inteligentes de aplicação.
Pulverizadores equipados com controle de seções e sensores de fluxo já estão disponíveis e permitem que o produtor ajuste o volume de calda conforme a necessidade de cada talhão.
Entre as soluções já aplicadas em pomares brasileiros, destacam-se equipamentos como o Arbus 4000 JAV e o Arbus 4000 Tower com Multicontrol, ambos desenvolvidos pela Jacto.
Esses pulverizadores foram projetados para grandes áreas e oferecem deposição uniforme da calda, melhorando os resultados da pulverização ao incorporar inovações como corte automático de seções, controlador de vazão, além de telemetria para otimização do manejo.
Além disso, a agricultura de precisão desempenha um papel fundamental. O uso de sistemas de georreferenciamento (GPS) permite mapear as áreas do pomar e identificar zonas com maior ou menor necessidade de aplicação.
Drones pulverizadores também estão emergindo como uma ferramenta promissora para a pulverização segmentada, oferecendo alta precisão e capacidade de operar em terrenos irregulares.
Dicas para implementação:
- Mapeamento do pomar: realize um mapeamento detalhado do seu pomar para identificar áreas com maior incidência de greening ou psilídeos. Isso pode ser feito com base em histórico de infestações, monitoramento visual ou tecnologias de sensoriamento remoto.
- Calibração do equipamento: garanta que seu pulverizador esteja corretamente calibrado para a pulverização segmentada. Isso inclui a configuração dos bicos, a pressão de trabalho e a velocidade de deslocamento para assegurar a cobertura adequada.
- Monitoramento constante: o monitoramento contínuo do pomar é essencial para ajustar as estratégias de pulverização. A detecção precoce de focos de psilídeos ou sintomas de greening permite uma intervenção rápida e direcionada.
- Treinamento da equipe: capacite sua equipe para operar os equipamentos de pulverização segmentada e para realizar o monitoramento e a identificação de problemas no campo.
Decisão no campo: custo-benefício e sustentabilidade
A pulverização segmentada não é apenas uma tendência, mas uma necessidade no cenário atual da citricultura.
Ao unir tecnologia e precisão, ela oferece uma abordagem mais inteligente e sustentável para o manejo de pragas, protegendo seus citros, otimizando recursos e garantindo a rentabilidade da sua produção.
Para os produtores, a adoção desse manejo, aliado ao uso de pulverizadores modernos, representa uma oportunidade de proteger o pomar sem comprometer a sustentabilidade do negócio.
Quer aprofundar seu conhecimento sobre tecnologias para o combate ao greening? Leia também o artigo da Jacto sobre combate ao greening e parcerias com o Fundecitrus.

