Qualidade dos grãos de café

Colheita estratégica do café ajuda a manter a qualidade dos grãos

Resumo:

Este artigo discute o impacto direto da colheita na qualidade dos grãos de café, desmistificando a ideia de que ela depende apenas das etapas de pós-colheita. O texto ainda apresenta os principais erros operacionais cometidos na colheita mecanizada e propõe soluções estratégicas baseadas no uso de tecnologias para obter lotes mais homogêneos e preservar a produtividade futura do cafezal.

Erros comuns na colheita que afetam a uniformidade do café:

Muitos produtores associam a qualidade do café apenas às etapas de secagem, armazenamento e beneficiamento. Embora essas fases sejam fundamentais, existe um ponto anterior que influencia diretamente o potencial de qualidade da bebida: a colheita.

Quando a colheita é realizada sem estratégia, parte do potencial de qualidade já pode ser perdida na lavoura.

É nesse momento que decisões estratégicas e ajustes operacionais podem contribuir para a obtenção de lotes mais homogêneos ou, ao contrário, comprometer características importantes dos grãos antes mesmo de eles deixarem a lavoura.

A boa notícia é que a evolução da colheita mecanizada trouxe novas possibilidades para os cafeicultores. As colhedoras atuais são altamente tecnológicas e oferecem recursos que permitem aumentar a seletividade da operação. Além disso, reduzir perdas e preservar melhor a estrutura das plantas, tornando possível colher com mais eficiência e qualidade.

Por isso, o desafio não é mais apenas colher rápido, mas colher no momento certo e com os ajustes e calibragens corretos nas colhedoras.

Neste artigo, conheça os principais erros que podem comprometer a qualidade dos grãos durante a colheita mecanizada e veja como evitá-los.

1. Esperar que toda a lavoura atinja o mesmo estágio de maturação

Um dos erros mais comuns é adiar o início da colheita até que praticamente todos os frutos estejam maduros.

Embora essa estratégia pareça facilitar a operação, ela pode resultar em uma maior presença de frutos secos, que permanecem mais tempo expostos às condições climáticas. Além disso, a desuniformidade natural da maturação faz com que diferentes estágios continuem coexistindo na mesma planta.

Com isso, o produtor corre o risco de colher frutos excessivamente maduros juntamente com frutos ainda verdes, reduzindo a uniformidade do lote.

Como evitar esse problema?

A colheita seletiva mecanizada surge como uma alternativa eficiente para aproveitar melhor o momento ideal dos frutos.

As colhedoras modernas permitem ajustar a intensidade das derriçadeiras para priorizar a retirada dos frutos cereja, preservando parte dos frutos verdes para uma próxima passada. Dessa forma, é possível colher uma maior proporção de grãos no estágio de maturação desejado e formar lotes mais homogêneos.

Veja mais:

2. Tentar retirar todos os frutos em uma única passada

Durante muitos anos, a eficiência da colheita foi associada à capacidade de retirar o máximo possível de frutos em apenas uma operação.

No entanto, quando o objetivo é qualidade, essa lógica nem sempre produz os melhores resultados.

Ao buscar a retirada de praticamente todos os frutos em uma única passada da máquina, aumenta-se a probabilidade de colher uma quantidade maior de frutos verdes, além de elevar o risco de perdas no solo e de danos desnecessários às plantas.

Como evitar esse problema?

Em muitas situações, a estratégia mais eficiente é realizar a colheita em duas ou mais passadas.

Na primeira operação, a máquina pode ser regulada para remover prioritariamente os frutos cereja. Em seguida, os frutos que ainda estavam verdes permanecem na planta para completar seu desenvolvimento e serem colhidos posteriormente.

Além de favorecer a qualidade dos grãos, essa estratégia contribui para reduzir o volume de café remanescente ao final da colheita e diminuir a necessidade de operações complementares, como repasses e varrição.

3. Não ajustar corretamente as derriçadeiras

A qualidade da colheita mecanizada está diretamente relacionada à regulagem da máquina.

Mesmo contando com tecnologias cada vez mais avançadas, uma colhedora mal ajustada pode comprometer os resultados da operação.

Quando a vibração aplicada é excessiva, aumenta-se a retirada de frutos verdes e o estresse sobre as plantas. Por outro lado, regulagens insuficientes, entre elas a altura, podem deixar um volume elevado de frutos que já estão no ponto de colheita na lavoura.

Como evitar esse problema?

As regulagens devem ser definidas de acordo com as características de cada área, considerando fatores como:

  • estágio de maturação dos frutos;
  • carga produtiva das plantas;
  • variedade cultivada;
  • arquitetura do cafeeiro;
  • condições gerais da lavoura.

Ajustes adequados permitem maior seletividade na derriça, melhor aproveitamento dos frutos maduros e menor ocorrência de perdas.

Saiba mais:

4. Não gerenciar adequadamente o café remanescente na planta

A presença de frutos remanescentes após a passagem da colhedora faz parte da estratégia de uma colheita seletiva. Afinal, em muitas situações, manter parte dos frutos verdes na planta permite que eles completem sua maturação para uma próxima operação.

O problema surge quando o volume de café remanescente ultrapassa o planejado.

Nesse contexto, além da perda potencial de produção, a operação se torna menos eficiente e mais difícil de administrar.

O principal impacto é econômico. Quanto maior a quantidade de frutos que permanecem na planta, maior tende a ser a necessidade de novas operações para concluir a colheita, aumentando custos com máquinas, combustível e logística.

Como evitar esse problema?

O ideal é monitorar continuamente os índices de café remanescente após cada passada.

Mais do que um indicador de perdas, esse acompanhamento ajuda a avaliar a eficiência da operação e a identificar oportunidades de ajuste nas regulagens da máquina.

O objetivo deve ser encontrar o equilíbrio entre seletividade, qualidade e eficiência operacional.

5. Aceitar altos volumes de café no chão

Toda operação de colheita apresenta algum nível de perda. No entanto, quando o volume de grãos derrubados no solo se torna elevado, isso indica que há espaço para melhorias no manejo ou nas regulagens da máquina.

Além da perda direta de produção, o café recolhido posteriormente pode apresentar características diferentes dos frutos colhidos diretamente da planta, comprometendo a uniformidade dos lotes.

Como evitar esse problema?

Reduzir as perdas no solo exige uma abordagem integrada da operação de colheita. Isso envolve ajustar corretamente a colhedora, adequar a velocidade de trabalho às características da lavoura, acompanhar os indicadores de desempenho e planejar estrategicamente as passadas da máquina.

Muitas vezes, pequenos ajustes nesses fatores são suficientes para gerar ganhos expressivos tanto em produtividade quanto na qualidade dos grãos colhidos.

6. Utilizar regulagens excessivamente agressivas

Durante muito tempo, uma das principais preocupações dos produtores em relação à colheita mecanizada estava associada aos possíveis danos causados às plantas.

Atualmente, a tecnologia embarcada nas colhedoras permite operações muito mais precisas e suaves do que no passado.

A colhedora K 3000 da Jacto, por exemplo, conta com a tecnologia de alinhamento e nivelamento automático, que compensa inclinações laterais de até 30%. Isso garante estabilidade em terrenos de montanha e relevos acidentados. Como resultado, a máquina se mantém centralizada na planta, reduzindo drasticamente a perda de grãos e evitando danos estruturais aos cafeeiros.

Ainda assim, regulagens inadequadas podem provocar desfolha excessiva e quebra de ramos produtivos. Esses danos não afetam apenas a safra atual, mas também podem influenciar o desempenho produtivo das plantas nos ciclos seguintes.

Como evitar esse problema?

A equipe de campo deve ajustar a intensidade da operação de acordo com as características da lavoura e os objetivos da colheita.

Cada área apresenta particularidades relacionadas à variedade cultivada, ao estágio de maturação dos frutos, à carga produtiva e às condições das plantas, fatores que devem ser considerados na definição das regulagens.

Nesse contexto, a capacitação contínua dos operadores e gestores da colheita torna-se um diferencial importante. Participar de treinamentos oferecidos pelos fabricantes, consultar manuais técnicos, trocar experiências com revendedores e especialistas.

Além disso, acompanhar palestras, dias de campo e workshops, assistir vídeos e tutoriais das máquinas, ajuda a manter a equipe atualizada sobre as melhores práticas de operação e regulagem.

Quando a máquina trabalha dentro dos parâmetros adequados e a equipe conhece plenamente os recursos disponíveis, é possível preservar melhor a estrutura dos cafeeiros, reduzir danos aos ramos produtivos e aumentar a longevidade da lavoura.

Um dos materiais importantes sobre as colhedoras de café da Jacto para consulta, está aqui na playlist Direto da Cabine, no Youtube:

7. Avaliar apenas a velocidade da operação

A produtividade operacional continua sendo um indicador importante. Afinal, a colheita precisa ser eficiente para atender às demandas da propriedade.

No entanto, medir apenas hectares colhidos por dia pode levar a decisões equivocadas.

Uma operação realmente eficiente deve equilibrar produtividade, qualidade e preservação da lavoura.

Como evitar esse problema?

Além da capacidade operacional, é importante acompanhar indicadores como:

  • percentual de frutos cereja colhidos;
  • índice de café remanescente;
  • perdas no solo;
  • danos às plantas;
  • custo total da operação.

Essa visão mais ampla permite identificar oportunidades de melhoria e tomar decisões mais alinhadas aos objetivos da propriedade.

Como seria uma colheita de café próxima do ideal?

Diante desses erros mais comuns apresentados, é possível afirmar que a colheita perfeita talvez não exista.

Porém, as tecnologias atuais permitem chegar cada vez mais perto desse objetivo, especialmente cruzando todas as possibilidades dos maquinários com o conhecimento adquirido pelos produtores ao longo das safras.

Mas se for para resumir, uma colheita de alta performance não é aquela que simplesmente retira o maior volume de frutos da lavoura, mas a que consegue colher no momento certo, com a regulagem adequada e a estratégia mais eficiente para cada situação.

Isso inclui priorizar a retirada dos frutos cereja, utilizar passadas adicionais quando necessário, reduzir perdas no solo, controlar o café remanescente e preservar a estrutura das plantas.

Quando esses fatores trabalham em conjunto, a colheita contribui não apenas para a qualidade dos grãos da safra atual, mas também para a sustentabilidade produtiva do cafezal nos anos seguintes.

Por isso, a qualidade do café não deve ser vista apenas como resultado das etapas pós-colheita. O potencial de qualidade dos grãos começa a ser construído muito antes da colheita, por meio de práticas como a correção e fertilização do solo, o manejo nutricional das plantas e os cuidados fitossanitários da lavoura.

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A colheita, por sua vez, garante que esse potencial seja efetivamente aproveitado, minimiza as perdas e preserva as características desejadas dos frutos.

Quer saber mais sobre as tecnologias empregadas nas colhedoras de café da Jacto? Acesse nosso portfólio de produtos e saiba como potencializar a sua colheita nas próximas safras.

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