drone da Jacto

Agricultura de precisão ajuda a aumentar a sustentabilidade no campo

Resumo:

Esse artigo discute como a agricultura de precisão está interligada à sustentabilidade e mostra de que forma o uso de tecnologias baseadas em dados pode reduzir custos e aumentar a produtividade no campo. Discute também sobre como a utilização de ferramentas como piloto automático, aplicação em taxa variável, telemetria e controle de seções, pode minimizar o desperdício de insumos e combustível, adequando a gestão do produtor às diretrizes do Plano ABC+ e aos incentivos financeiros do Plano Safra.

Principais pontos:

Entre os principais desafios do agricultor hoje está a missão de produzir alimentos de forma eficiente, utilizando melhor os recursos, reduzindo custos e minimizando desperdícios.

Contudo, a variabilidade das lavouras, a alta dos insumos e as mudanças climáticas tornam essa tomada de decisão cada vez mais complexa. É exatamente nesse cenário de incertezas que a agricultura de precisão e a sustentabilidade se encontram.

Em termos simples, a AP reúne tecnologias que transformam dados coletados na lavoura em decisões mais assertivas. Ferramentas como piloto automático, aplicação em taxa variável, sensores e drones permitem mapear as diferenças de cada talhão, garantindo que o solo receba exatamente o que precisa.

Qual a relação entre Agricultura de Precisão e sustentabilidade?

Um dos maiores benefícios das ferramentas de agricultura de precisão é reconhecer que uma mesma propriedade, ou mesmo um mesmo talhão, pode ter necessidades diferentes de trato do solo ou da cultura.

Neste contexto, uma região pode demandar mais fertilizante, enquanto outra apresenta maior potencial produtivo, exigindo uma estratégia diferente de manejo em cada metro.

Tratar toda a área da mesma maneira pode significar desperdício de recursos e menor eficiência na operação. E é justamente nesse ponto que agricultura de precisão e sustentabilidade se encontram.

A partir da coleta e do processamento de informações georreferenciadas, o produtor consegue conhecer melhor a variabilidade da lavoura e utilizar esse conhecimento para planejar e executar as operações de maneira mais direcionada.

Veja também:

Um levantamento do Departamento Técnico do Sistema Famasul, divulgado pela CNA em 2021, mostrou que a adoção da agricultura de precisão poderia proporcionar aumento de até 29% na produtividade, dependendo do nível tecnológico da propriedade antes da implantação das ferramentas.

O mesmo levantamento apontou redução média de 23% nos gastos com insumos, como fertilizantes e corretivos. Segundo a publicação, esses resultados estão relacionados à otimização dos recursos disponíveis no solo e ao uso mais racional dos insumos, contribuindo tanto para a rentabilidade quanto para a sustentabilidade da produção.

Embora esses dados sejam de 2021, eles ajudam a dimensionar o potencial da agricultura de precisão. Desde então, o conceito avançou com a integração de conectividade, sensores, automação, inteligência de dados e outras tecnologias digitais.

Além disso, a evolução da agricultura de precisão também acontece porque o produtor adota, testa, percebe resultados e passa a demandar soluções melhores, criando um ciclo de inovação.

Esse movimento aproxima produtores, empresas e centros de pesquisa e mantém em funcionamento um ciclo contínuo de adoção, aprendizado e inovação.

Preocupação com segurança alimentar potencializa o uso de ferramentas de Agricultura de Precisão

A necessidade de garantir a segurança alimentar em um cenário de mudanças climáticas tem levado a agricultura brasileira a buscar formas cada vez mais eficientes de produzir.

Essa preocupação está presente na evolução das políticas nacionais de agricultura de baixo carbono. Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) em 2010, o Plano ABC estabeleceu estratégias para ampliar a adoção de tecnologias capazes de reduzir as emissões de gases de efeito estufa no campo.

Em sua segunda fase, o Plano ABC+ (2020–2030) ampliou essa abordagem. A estratégia vigente estabelece como um de seus objetivos garantir a oferta de alimentos, fibras e bioenergia em quantidade e qualidade, com conservação dos recursos naturais, mesmo diante de um cenário de crescente incerteza climática.

Nesse contexto, a agricultura de precisão ganha espaço como uma das ferramentas para transformar o princípio de produzir mais com menos, em prática no campo.

A lógica também está alinhada ao movimento de valorização da sustentabilidade no crédito rural. No Plano Safra 2026/2027, produtores que atendem a determinados critérios de sustentabilidade podem obter redução de até 1 ponto percentual na taxa de juros do custeio.

Isso reforça que boas práticas ambientais e gestão dos recursos naturais estão ganhando peso também nas decisões econômicas da propriedade.

Veja também:

Agricultura de precisão na prática: menos desperdício, mais eficiência

Na prática, a relação entre agricultura de precisão e sustentabilidade está na capacidade de transformar os dados sobre a lavoura em ações mais direcionadas.

Em vez de considerar toda a área de maneira uniforme, o produtor pode identificar diferenças entre talhões. Além disso, acompanhar as operações e ajustar a execução de acordo com as necessidades encontradas no campo.

Entre as tecnologias que contribuem para esse processo estão:

  • Barra de luzes e sistemas de orientação: utilizam informações de posicionamento para auxiliar o operador a manter o trajeto planejado durante as operações. Ao melhorar o paralelismo entre as passadas, ajudam a reduzir falhas e sobreposições em atividades como pulverização, adubação e plantio. Levantamentos da Jacto apontam que o uso da barra de luzes pode proporcionar redução de até 10% nos custos totais da operação.

Saiba mais:

  • Controle automático de seções: utiliza a localização da máquina para controlar automaticamente a aplicação em diferentes partes da área. Ao identificar regiões que já receberam produto, o sistema pode interromper a aplicação nesses pontos, evitando sobreposições. Em equipamentos de maior precisão, o controle bico a bico permite um gerenciamento ainda mais detalhado da aplicação.
  • Aplicação em taxa variável: permite alterar a quantidade de insumo aplicada conforme a variabilidade identificada na lavoura. A partir de mapas e informações sobre características do solo ou da cultura, por exemplo, é possível estabelecer diferentes doses para diferentes regiões da área. Dessa forma, a tecnologia cria condições para utilizar os insumos de maneira mais compatível com a necessidade de cada local.
  • Tecnologia PWM: controla a vazão por meio da frequência dos pulsos de abertura e fechamento das válvulas. Esta tecnologia permite manter maior uniformidade da aplicação mesmo quando a velocidade da máquina varia. Associado a outros recursos de agricultura de precisão, como o controle bico a bico, o sistema contribui para aumentar o controle sobre a quantidade e o momento da aplicação.

Saiba mais:

  • Aplicação localizada eSensor de Verde sobre Palha: utiliza sensores e sistemas de identificação para reconhecer a presença de plantas ou alvos específicos. Na aplicação localizada de herbicidas, por exemplo, o objetivo é evitar que toda a área receba o mesmo tratamento quando o alvo está distribuído de maneira irregular. Com isso, a tecnologia pode contribuir para reduzir o volume de produto utilizado. Também, os custos da operação e os impactos associados ao uso desnecessário de defensivos.
  • Drones agrícolas: podem ser utilizados para obter imagens e informações detalhadas da lavoura, ajudando a identificar diferenças no desenvolvimento das plantas, falhas de estande, ocorrência de plantas daninhas ou outras situações que mereçam atenção. Essas informações ampliam a capacidade de monitoramento do produtor. Além disso, podem servir de base para decisões mais localizadas, complementando os dados obtidos por outras ferramentas de agricultura de precisão.
  • Telemetria: permite coletar e transmitir informações sobre máquinas e operações agrícolas, como localização, funcionamento, produtividade operacional e desempenho. Com esses dados, o produtor e os gestores da propriedade conseguem acompanhar as atividades, identificar desvios e avaliar o desempenho das operações. Além de apoiar o planejamento, esse acompanhamento contribui para utilizar melhor máquinas, combustível, tempo e outros recursos envolvidos na atividade.

Quando essas tecnologias trabalham de forma integrada, a agricultura de precisão deixa de ser apenas um conjunto de equipamentos. Passa a funcionar, então, como uma estratégia de gestão.

Dados coletados no campo ajudam a identificar necessidades; essas informações orientam o planejamento; e os sistemas de controle permitem executar as operações com maior precisão.

Quanto maior a capacidade de relacionar a necessidade identificada no campo à ação realizada pela máquina, maior é a oportunidade de reduzir desperdícios e utilizar os recursos de maneira mais racional.

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