Como fazer a gestão de estoque na agricultura?

Como fazer a gestão de estoque na agricultura?

A gestão de estoque na agricultura é uma tarefa fundamental, sobretudo em razão das diversas atividades e produtos que o produtor rural gerencia, como a manutenção de equipamentos, compra de insumos, sementes e defensivos, e a venda de frutas, grãos e outros vegetais.

Sem uma gestão eficiente, o resultado natural é o desperdício e o aumento dos custos operacionais. Por isso, trazemos neste post as práticas mais comuns hoje que têm facilitado a organização de estoques no setor agrícola. Leia e aprimore ainda mais sua gestão!

Por que fazer a gestão de estoque na agricultura?

A gestão de estoque ganhou nos últimos anos um papel estratégico nas empresas, e isso não exclui o agronegócio. Muitas organizações têm buscado manter um volume menor de produtos estocados a fim de conquistar uma vantagem competitiva maior no mercado.

Quando essa atividade é bem gerenciada, reduzem-se os riscos operacionais relacionados aos cuidados sanitários no armazenamento e ao transporte em todas as etapas do ciclo produtivo. Com um desperdício menor, o resultado direto são produtos de maior qualidade e redução de custos.

Quando pensamos no que o estoque representa de valor para o empreendedor rural, fica fácil entender a importância de aprimorar a gestão. No estoque, encontram-se armazenados sementes, defensivos (que demandam cuidados especiais de armazenagem), fertilizantes para o enriquecimento do solo, entre outros insumos essenciais para otimizar a produção.

Ainda há os componentes para montagem, peças sobressalentes, materiais administrativos e os mais diversos suprimentos. Por fim, ao final da produção, haverá a necessidade de transportar e estocar os produtos em si. Cada tipo de cultivo demandará cuidados específicos. Errar nessa tarefa significará desperdício de recursos empregados em todas as etapas anteriores do processo.

Vale lembrar que todos esses itens estocados podem representar mais de 46% dos ativos do empreendimento. Por isso que deixar de criar uma gestão de estoque na agricultura significa perda de vantagem competitiva e de qualidade do produto entregue ao consumidor final — e isso afeta a própria reputação do agricultor, é claro.

Existem ainda outros fatores que influenciam essa gestão, entre eles, as variações do clima, a disponibilidade de mão de obra, as condições biológicas da cultura, as condições químicas e físicas do solo e a própria sazonalidade da produção.

Tendo em vista todas essas variantes, como manter esse controle de estoque sempre eficiente? É sobre isso que vamos falar agora!

Como fazer uma boa gestão de estoque?

Então, vamos começar pelo que é mais básico. O primeiro passo é ter um lugar adequado para armazenar os produtos, que servirá como um almoxarifado. É importante que ele seja coberto, seguro e fechado.

Escolhido e preparado um local específico para essa finalidade, é preciso listar tudo o que será armazenado, relacionando os valores de cada item, a quantidade e as datas de validade. Todos esses dados são registrados em planilhas ou em programas de computador, conhecidos como softwares de gestão.

Toda a entrada e saída de produtos deve ser registrada, informando a quantidade, a data e para onde foi encaminhado. Com isso, as etapas do processo de estocagem geralmente obedecerão à seguinte sequência:

  • compra de insumos e demais produtos;

  • chegada dos itens;

  • conferência dos dados para registro de estrada;

  • estocagem propriamente dita;

  • requisição do produto por parte de funcionários ou setores;

  • saída do produto e seu respectivo registro;

  • apropriação dos custos.

Com esses dados sempre atualizados e organizados, fica muito mais fácil estimar os custos de produção, evitar riscos relacionados a produtos vencidos e prevenir o desperdício. Por exemplo, o produtor rural terá o registro de quando dura um determinado insumo e poderá programar sua compra.

Assim, os custos de produção ficam mais previsíveis, e é possível programar a aquisição de modo que a propriedade funcione com relativa tranquilidade, com produtos suficientes em estoque.

O estoque e escoamento da produção

Quando o assunto é a estocagem da produção, existem outros fatores que influenciam a gestão, sobretudo questões sanitárias e outras relativas ao escoamento dos itens no mercado. Por isso, o produtor rural pode decidir realizar o estoque privado e comercializá-lo diretamente com o mercado ou participar no programa de Formação de Estoques Públicos ou mais comumente chamado de Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM).

Essa iniciativa visa garantir uma renda mínima ao produtor rural, além de manter estoques que garantam a oferta de produtos e a regulação de preços no mercado. Para tal, o programa utiliza armazéns públicos e privados, sob responsabilidade da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Por meio dessa política pública, o produtor garante um preço mínimo para o repasse de produtos, mesmo antes da produção, protegendo-se contra as oscilações do mercado. Por outro lado, tudo é armazenado com segurança e eficiência, a fim de manter a qualidade e a volume de produtos inseridos no mercado na época certa.

Assim, grupos de agricultores familiares associados a cooperativas podem analisar a possibilidade de formar estoques públicos de determinado produto. Isso facilita a gestão de estoque do empreendimento, uma vez que isso garante o escoamento da produção por um valor previamente acordado.

Estoque privado é a solução?

Ao decidir implementar uma infraestrutura para estocagem da produção na propriedade, o agricultor precisa considerar alguns fatores importantes, como o tamanho da área de cultivo, o nível de produtividade, o tempo em que o produto precisa ficar armazenado, os tipos de produtos, logística de escoamento ao longo do ano, tecnologias disponíveis e a capacidade de adquirir novos recursos tecnológicos.

Assim, quanto ao nível de potencial técnico e de infraestrutura, o empreendimento pode ser categorizado em pelo um dos três grupos:

  • baixo desenvolvimento: produção armazenada em sacos ou espigas, sistema de secagem em secadores ou terreiros, tudo podendo ser construído com materiais acessíveis, com um custo bem menor, porém, a capacidade de armazenamento também é menor;

  • desenvolvimento mediano: armazéns a granel ou em sacos, com sistemas de controle de pragas (insetos e roedores), de secagem e de limpeza;

  • alto desenvolvimento: armazéns a granel com sistemas de controle de pragas, secagem e limpeza com tecnologias e ferramentas adicionais de suporte.

Em razão dos diversos investimentos demandados pela armazenagem local, nem sempre essa estratégia é viável para o produtor rural. Por isso, todos os fatores devem ser analisados com cuidado em conjunto com o planejamento contábil do negócio.

Com esses avanços na gestão de estoque na agricultura, percebemos uma profissionalização cada vez maior no setor. isso torna necessário para que o produtor reduza o desperdício de produtos e insumos, ao mesmo que tempo que mantém sua vantagem competitiva no mercado.

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