Custo de produção agrícola: confira como deve ser calculado!
custo de produção agrícola

Como calcular o custo de produção agrícola e mantê-los sob controle

Saber como calcular o custo da produção agrícola é muito mais que uma simples conta de soma ou subtração. Para entender realmente o quanto é necessário investir a fim de gerar resultados no campo, é preciso levar em conta diversas variáveis, além do simples gasto com sementes, defensivos, adubo e mão de obra.

Seja para planejar o crescimento da produção, seja para avaliar a possibilidade de obtenção do crédito rural, entender qual é o custo de produção agrícola é muito importante para a gestão no campo. Apenas com números claros é possível ter um controle real sobre as finanças e desenvolver a operação.

Neste artigo, vamos explicar um pouco mais sobre a importância de calcular o custo de produção agrícola e como chegar a esses números. Continue lendo para saber mais!

Por que é importante saber como calcular o custo da produção agrícola?

Uma visão completa e correta das finanças é importante na gestão de qualquer tipo de negócio. Apenas com dados claros e verdadeiros é possível tomar decisões acertadas para os rumos de uma empresa — sem informações confiáveis, as escolhas da gestão acabam se tornando imprecisas.

No campo, isso não é diferente. Para entender se a atividade rural está sendo sustentável do ponto de vista financeiro, é necessário saber não só quanto entra de dinheiro no negócio, mas também o quanto é investido para que isso seja possível. Portanto, saber como calcular o custo da produção agrícola é essencial para entender a viabilidade do negócio.

Identificação de desperdícios na lavoura

Saber o custo da produção agrícola também ajuda a identificar focos de desperdício na lavoura. Com uma análise detalhada do que é gasto, o gestor consegue entender quais são as despesas mais pesadas e importantes para a operação.

Com isso, é capaz de encontrar desperdícios, como a compra excessiva de defensivos agrícolas ou o alto custo de manutenção de um equipamento importado, que podem ser sanados para aumentar a eficácia financeira do negócio.

Comparação do custo orçado com o custo real

Outra vantagem de um cálculo preciso dos custos de produção é a possibilidade de comparar o que foi orçado e qual foi o verdadeiro investimento na lavoura. Nem sempre o planejamento bate com o real e, quando existem diferenças bem significativas entre os dois, a surpresa pode ser ruim para a saúde financeira da empresa.

Mas, ao comparar números exatos do custo real com o que foi orçado, é possível encontrar os erros e imprecisões que causaram essa dissonância e, com isso, lidar melhor com eles da próxima vez.

Como calcular o custo da produção agrícola?

Todo produtor tem uma ideia de quanto gasta e quanto ganha com o seu trabalho, mas não é incomum encontrar gestores de propriedades de todos os portes que não sabem exatamente o custo por safra e por talhão da sua lavoura.

Isso porque o cálculo exige muito mais do que o simples gasto durante o período, mas sim a soma de despesas fixas e variáveis em diversos quesitos. Dependendo do tipo de lavoura e do porte da empresa, esses elementos podem ser diferentes, mas elencamos alguns dos principais números que não devem faltar nessa conta. Confira!

Some os insumos para a produção

Calcular os gastos com insumos para a produção talvez seja a parte mais simples da equação, mas certamente não é tão fácil quanto parece. Além de somar tudo que foi investido em sementes, fertilizantes, defensivos e outros, é preciso entender o que foi, de fato, empregado na lavoura.

Portanto, mesmo que um produtor tenha orçado um gasto de R$40.000 em fertilizantes, o custo verdadeiro de produção leva em conta apenas aquilo que foi realmente utilizado no campo. Se houve sobras de 50% do produto, o certo é considerar que o custo de produção foi de apenas R$20.000, ainda que o planejado tenha sido maior.

Calcule a folha de pagamento

Um dos principais gastos no campo é com a mão de obra contratada para realizar o trabalho nas lavouras. E, dependendo da época, os gastos podem variar significativamente: na colheita, por exemplo, é comum contratar reforços temporários para potencializar os resultados.

Assim como o cálculo feito sobre os insumos de produção, é importante levar em conta o que foi projetado na folha de pagamento e o que foi realmente executado. Se um trabalhador ficou ocioso em algum momento do seu contrato, isso entra como custo orçado, mas apenas as horas trabalhadas são somadas ao custo de produção real.

Leve em conta investimentos em máquinas

No cálculo do investimento em equipamentos agrícolas, é importante entender que o custo real é diluído por toda vida útil da máquina, e não apenas enquanto ela é paga. Na prática, mesmo que um produtor parcele o pagamento de um pulverizador em 120 parcelas, se ele opera por 240 meses o correto é considerar o seu pagamento ao longo de toda sua vida útil, ou seja, 20 anos.

Esse tipo de cálculo ajuda a entender a depreciação do equipamento e a sua contribuição verdadeira à geração de valor do negócio. E é importante somar a esse custo os demais gastos, como manutenção preventiva e corretiva das máquinas, além de eventuais despesas com atualizações e melhorias.

Acrescente outros custos fixos e variáveis

É importante ainda acrescentar aos números já listados outras despesas fixas e variáveis que fazem parte da produção, como o custo com energia, frete, despesas de escritório e até combustível gasto pelos profissionais que rodam pela propriedade.

As demais despesas fixas e variáveis podem variar de acordo com o tipo de lavoura, o porte do negócio e outros detalhes particulares de cada propriedade.

Considere o valor da terra

Por fim, é interessante também levar em conta o valor da terra, mesmo que o produtor não esteja em um espaço arrendado. O terreno em que a lavoura está instalada significa um investimento no negócio.

Nem sempre é interessante somar esse valor diluído aos custos de produção, já que ele pode levar a uma distorção do cálculo real, mas é importante que os gestores tenham uma boa noção do valor da terra para entender que o que é investido na propriedade se justifica. Ou seja, que é mais inteligente continuar no campo do que, por exemplo, vender o terreno e guardar tudo na poupança.

Quais métodos usar para calcular os custos de produção agrícola?

Em primeiro lugar, é preciso levar em conta que, antes de pensar no modelo de custo de produção agrícola, é preciso decidir qual será o recorte ou medida utilizada. No geral, o custo de produção é representado por R$/ha (reais por hectare) e R$/saco. Esses valores podem ser convertidos para dólares para fins comparativos.

Da mesma maneira, também há a representação de sacos por hectare. Para isso, normalmente levantam-se informações da propriedade completa para depois dividir pela quantidade de hectares. No entanto, dessa forma, o resultado pode não ser tão preciso, uma vez que áreas mais produtivas compensarão outras, tendo por base uma média por hectare da inteira propriedade.

É verdade que o cálculo feito por talhão vai exigir mais trabalho na coleta dos dados e no gerenciamento das informações em si. Porém, os resultados serão mais precisos. Então, se você está iniciando na tarefa de realizar cálculos do custo da produção, recomendamos que leve em conta uma média da propriedade rural inteira. Depois que dominar essa etapa, poderá dividir o cálculo para cada talhão.

Antes de analisarmos de forma prática os métodos de custeio, podemos detalhar os custos de produção. Você pode tomar por base informações divulgadas pela Conab para encontrar os custos variáveis e fixos do seu negócio.

Custos variáveis

Custeio

  • Operações;
  • Insumos;
  • Funcionários a cada safra;
  • Pós-colheita;
  • Assistência técnica;
  • Comercialização e beneficiamento;
  • Transporte dos produtos;
  • Armazenamento e estoque;
  • Impostos.

Financeiro

  • Juros de financiamentos para custeio;
  • Seguros.

Custos fixos

CARP (Custo Anual de Recuperação do Patrimônio)

  • Juros de financiamentos de construções e máquinas;
  • Manutenções de máquinas e de infraestrutura;
  • Depreciação de máquinas e infraestrutura.

Administrativo

  • Almoxarifado;
  • Cantina;
  • Funcionários da entressafra;
  • Escritório;
  • Pró-labore (salário dos proprietários);
  • Demais despesas administrativas.

Com base nesses custos, podemos utilizar os métodos a seguir.

Custo Operacional Efetivo (COE)

O Custo Operacional Efetivo é composto por todos os custos variáveis investidos nas etapas de produção agrícola. Eles são variáveis porque seu volume se altera conforme a quantidade de trabalho nas operações, e só existem se houver produção.

Por exemplo, na lista apresentada anteriormente, incluem-se os insumos nos custos variáveis, como defensivos, fertilizantes, óleo mineral, diesel, entre outros. Também podemos listar tudo que tenha a ver com as despesas da lavoura, como manutenção de máquinas, mão de obra e serviços feitos por terceirizados.

Custo Operacional Total (COT)

Para obtermos o Custo Operacional Total, precisamos somar o COE com alguns custos fixos — aqueles que não sofrem alteração dependendo do volume de produção. Por exemplo, o custo de um barracão para abrigar o maquinário vai ser o mesmo, independentemente se o produtor cultivar 5 ou 15 hectares.

Esses custos são muitas vezes invisíveis e difíceis de calcular. É o caso do custo de depreciação, que se refere à perda de valor devido ao desgaste de um equipamento. Uma forma de calcular a depreciação de uma máquina é tomar o valor do bem novo e subtrair pelo valor residual (que seria o preço de sucata no fim da sua vida útil).

Por exemplo, se a vida útil de um implemento é de 8 anos (ou 12 mil horas de trabalho), e seu valor residual é de 20%, subtraímos o valor do bem novo pelo valor residual. Pegamos o resultado e multiplicamos pela quantidade de horas trabalhadas. Considere um caso prático:

  • valor do trator: R$40.000;
  • durabilidade: 10 anos, 15 mil horas trabalhadas;
  • valor residual: 20%;
  • subtraindo os R$40.000 pelo valor residual, chegamos a R$32.000. Assim, o valor da hora trabalhada fica em torno de R$2,13;
  • se, naquela safra, o trator trabalhou 40 horas, seu valor de depreciação será de R$766,80.

Para um cálculo mais acertado, é preciso levar em conta o tempo de troca recomendado do trator ou implemento. Quando o produtor inclui essas despesas invisíveis, como é o caso do custo anual de recuperação do patrimônio, ele evita prejuízos para o negócio.

Custeio por Absorção

Alguns custos podem ser compartilhados por diferentes atividades dentro da propriedade, e muitas vezes não são restritos a uma operação, safra ou lavoura. Por exemplo, um depósito de insumos ou um barracão servirão para várias operações. Dentro do ano agrícola, talvez seja utilizada por uma safra no verão e outra na safrinha.

Dessa forma, o cálculo não seria correto se o custo fosse direcionado a apenas um produto ou atividade. As despesas relacionadas precisam ser rateadas, e o percentual que compete a cada atividade fica a critério do proprietário.

Custeio ABC (Activity Based Costing, ou Custeio Baseado em Atividades)

No Custeio ABC, os custos são atribuídos às diferentes atividades relacionadas à produção, antes de distribuir os custos na precificação dos produtos. Parte-se da premissa de que os produtos não consomem recursos, mas sim as operações.

Custo Total (CT)

O Custo Total da produção agrícola representa a soma do Custo Operacional Total (COT) e os custos financeiros, que consiste basicamente no Custo de Oportunidade do Capital e o Custo de Oportunidade de Terra. 

Mas o que seria esse custo de oportunidade? Sempre que um produtor faz uma escolha, ele ganha as vantagens de ter tomado um caminho, mas perde os benefícios que viriam de outras alternativas. Por exemplo, todo o dinheiro investido no negócio agrícola e as terras cultivadas poderiam render de outra forma, em uma aplicação financeira ou em arrendamentos, por exemplo.

Quando o agricultor decidiu cultivar a terra, ele deixou de ganhar por meio de outros investimentos. Mas a decisão de trabalhar na lavoura precisa ser mais rentável que as às demais opções, certo? Ele poderá buscar isso somente se tiver conhecimento de quanto renderiam as outras alternativas.

Normalmente, o Custo de Oportunidade do Capital é obtido por aplicar os juros da poupança em cima do dinheiro aplicado na lavoura. Já o Custo de Oportunidade da Terra é feito com base no valor estimado da terra, considerando quanto renderia se estivesse aplicado na caderneta de poupança.

Como visto, saber como calcular o custo da produção agrícola é muito importante para manter a sustentabilidade financeira do negócio. Além disso, é preciso levar em consideração todas as variáveis que fazem parte do processo para entender a real situação e ter uma boa gestão no campo. Saiba que é praticamente impossível se manter competitivo no mercado, com preços que sustentem o negócio, sem saber fazer esses cálculos. Assim, comece do mais básico, e com o tempo vá aprimorando sua gestão de custos.

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