Melhoramento genético na agricultura: veja o impacto ela traz no campo!
melhoramento genético

Melhoramento genético na agricultura: o que podemos ver de melhoria no campo?

Por mais que o melhoramento genético seja um tema até certo ponto desconhecido da população em geral, ele está presente na mesa de todos os brasileiros. Isso porque não existe nenhuma fruta ou hortaliça que seja totalmente original. Trata-se de uma tecnologia que está presente até mesmo no pão de cada dia.

Ao longo de todos os milênios da história humana, o agricultor sempre interveio para alterar as características naturais das espécies e potencializar suas qualidades. É claro que, desde então, as técnicas se aperfeiçoaram e se tornaram mais eficientes, trazendo resultados mais rapidamente.

Entenda neste artigo como surgiu a prática de melhoramento genético e que impacto ela traz no agronegócio!

Melhoramento genético: um breve histórico

O melhoramento genético consiste no processo de selecionar ou alterar o material genético de seres vivos de forma intencional visando o desenvolvimento de características desejáveis. Com base nesse conceito, podemos perceber algumas técnicas já empregadas mesmo antes dos estudos da engenharia genética.

Isso ocorreu quando o homem selecionou e preservou as melhores sementes e animais domésticos para fins de reprodução, em vez de consumo. Dessa forma, houve a triagem dos melhores genes para futuras gerações. Por exemplo, há milhares de anos, as mulheres já escolhiam e armazenavam grãos de cevada e trigo de qualidade superior para depois plantarem.

Esse tipo de prática é conhecido como melhoramento genético convencional ou clássico. Ele é capaz de produzir organismos geneticamente modificados, realizando cruzamentos, avaliando os resultados e selecionando os melhores descendentes. A ideia é combinar as características mais interessantes de cada variedade e produzir uma cultivar de maior valor comercial.

Esse método ainda é largamente utilizado hoje em dia: em uma estufa, são selecionadas variedades macho e fêmea para produzir uma polinização artificial. Assim, buscam-se produtos com atributos atraentes aos consumidores, seja pelo formato, pela cor e pelo sabor, seja pela resistência a pragas e doenças.

O modelo clássico é mais lento, feito com base na observação. Foi somente na metade do século 19 que foram descobertos os mecanismos que envolviam a seleção das melhores espécies. Os estudos do monge Gregor Mendel (1822-1884), conhecido como pai da genética, revelaram a relação entre genes recessivos e dominantes a partir do cruzamento de variedades de ervilhas. Vamos entender mais sobre esse funcionamento a seguir.

O funcionamento dessa tecnologia

Com os avanços da engenharia genética e da biotecnologia, as práticas de melhoramento genético avançaram significativamente. Pesquisadores passaram a interferir de forma direta e intencional no DNA das plantas e definir, então, quais características desejadas deverão ser passadas para a sua descendência.

Assim, em vez de utilizar o método clássico, que considerava cruzamentos e esperava o desenvolvimento da planta para saber quais características foram passadas ou não, a seleção com base no isolamento das partes de DNA passou a ser muito mais incisiva e direta.

A ideia era isolar parte do DNA que continha a característica desejada para a planta em questão. Dessa forma, os cientistas poderiam trocar genes e alcançar os atributos desejados para a espécie. É dessa forma que são produzidos os organismos geneticamente modificados (OGM).

Existem disponíveis hoje diversas ferramentas da biotecnologia que podem ser usadas para produzir os OGMs. Entre elas podemos citar:

  • o silenciamento gênico;
  • a transformação genética;
  • a edição genética por meio de CRISPR-Cas9.

Desde a década de 80, o melhoramento genético ocorre em grande parte por meio de sementes transgênicas, que envolve a adição de um gene oriundo de uma espécie não compatível sexualmente.

Os frutos do melhoramento genético

Um exemplo clássico que ilustra a importância dessa técnica foi o que ocorreu na Irlanda. A batata, que se tornou um alimento básico por lá, na verdade é originado das terras peruanas. Existem muitas variedades no Peru, mas apenas uma delas foi levada pelos irlandeses. Um problema é que a batata só nasce de outra batata. Dessa forma, todas elas são, na verdade, clones umas das outras, ou seja, compartilham o mesmo código genético.

Infelizmente, ocorreu uma praga na Irlanda que devastou as plantações de batata da região, causando a morte de cerca de 20% a 25% da população pela grande fome. No entanto, caso houvesse estudos de melhoramento genético, seria possível mesclar duas ou mais variedades de batata que pudessem conciliar o bom sabor e a resistência a doenças, salvando as plantações do país.

Esse caso ilustra bem as vantagens que o melhoramento pode trazer à população:

  • novas cultivares com características atraentes ao consumidor, como tempo de maturação, sabor mais apurado e espécies sem sementes;
  • maior tolerância natural a pragas e insetos, como ocorre com o milho Bt, cuja proteína se torna nociva à lagarta-do-cartucho;
  • redução do volume de defensivos agrícolas aplicados na lavoura, facilitando o manejo da agricultura;
  • preservação do meio ambiente, usando menos água para a diluição dos produtos, menos combustível para pulverizadores e menor risco de contaminação;
  • em alguns casos, tempo de validade do produto mais elevado;
  • melhor qualidade nutricional;
  • maior capacidade de autofecundação das plantas;
  • descendência mais numerosa.

Certamente, se existe hoje alimento suficiente para cobrir a demanda da população, pode-se dizer que isso ocorre graças às técnicas de melhoramento genético. Levando em conta que o grande desafio da agricultura moderna é aumentar a produtividade sem ocupar novas áreas de plantio, esse método pode ser a chave.

O poder do aprimoramento das plantas por meio da intervenção genética pode ser muito bem exemplificado pela evolução do milho. Cultivado há milênios na região da América Central, por volta de 4 mil anos antes de Cristo sua espiga tinha cerca de 5 centímetros. Já no século 15, com os europeus, o milho sofreu grandes melhoramentos até chegar às condições vistas hoje — maior tamanho, mais grãos e sabor aprimorado.

Com a biotecnologia, as intervenções passaram a ser mais precisas, rápidas e significativas, expandindo o potencial de aplicações dessas técnicas. Não há dúvida dos benefícios que o melhoramento genético trouxe para o campo e para o agricultor. Temos hoje a possibilidade de produzir produtos mais saborosos, nutritivos, com maior facilidade de reprodução e um nível de produtividade mais elevado.

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