pulverização em floração

Como ajustar a pulverização em floração em cada fase dos frutais

Resumo:

Este artigo apresenta os principais cuidados para a pulverização em floração de frutais, período em que as plantas passam rapidamente da brotação à abertura das flores e à formação dos primeiros frutos. O conteúdo explica como as mudanças no estágio fenológico alteram a posição, o tamanho e a sensibilidade dos alvos, exigindo ajustes na regulagem da pulverização. Também aborda a importância de acompanhar o estágio predominante, identificar a localização dos alvos e revisar volume, distribuição dos bicos, velocidade e fluxo de ar. Além disso, destaca a necessidade de considerar as restrições do produto, as condições meteorológicas e a presença de polinizadores durante a operação.

Principais pontos:

Com a retomada do ciclo vegetativo, especialmente durante a primavera, videiras, cerejeiras e outros frutais modificam a própria arquitetura em intervalos curtos. Ramos expostos começam a sustentar brotos, folhas e estruturas reprodutivas. Como consequência, o caminho percorrido pelas gotas deixa de ser o mesmo ao longo das semanas.

O desafio não está somente em escolher o produto indicado para a praga, a doença ou a finalidade agronômica. É preciso manter correspondência entre o alvo biológico e a forma de aplicação. Uma pulverização pode consumir o volume planejado e, ainda assim, concentrar depósitos nas regiões externas ou atravessar os espaços vazios sem atingir adequadamente estruturas pequenas.

Durante a florada, essa relação exige atenção adicional. As flores são sensíveis, algumas doenças encontram condições favoráveis em períodos úmidos e os polinizadores circulam pela área. Portanto, a decisão começa antes da entrada do equipamento: é necessário confirmar a necessidade do tratamento, observar o estágio predominante e verificar se o produto está registrado e autorizado para aquele momento da cultura.

Por que o alvo da pulverização muda durante a floração?

O alvo não é apenas a planta. É a estrutura vegetal ou o organismo que precisa receber o produto para que o tratamento cumpra sua função. Dependendo da recomendação agronômica, ele pode estar nas gemas, nos brotos novos, nas folhas, nas flores, nos cachos ou nos frutos em formação.

A brotação e floração são fases fenológicas observáveis, determinadas também pelas condições ambientais. Isso significa que calendário e média histórica ajudam no planejamento, mas não substituem a inspeção do pomar.

Além disso, a evolução pode não ocorrer de maneira uniforme. Variedade, posição no terreno, exposição solar, disponibilidade de frio e temperaturas da primavera interferem no ritmo. Em uma mesma área, podem coexistir botões fechados, flores abertas, queda de pétalas e início de formação dos frutos. A pulverização precisa considerar essa variação, principalmente quando o produto tem uma janela de uso restrita.

O que muda da brotação à formação inicial dos frutos?

A mudança do alvo acompanha o desenvolvimento das estruturas vegetativas e reprodutivas. À medida que gemas se abrem, flores surgem e os primeiros frutos se formam, aumentam a área ocupada pela planta e as barreiras que as gotas precisam atravessar. Por isso, cada etapa exige uma nova leitura da posição, do tamanho e da sensibilidade das estruturas que devem receber o produto.

Na brotação, o alvo é pequeno e pouco protegido

No início do ciclo, as gemas se abrem e surgem tecidos jovens. Como há pouca massa foliar, as gotas encontram menos obstáculos. Porém, brotos e folhas novas ocupam uma área reduzida e podem ser sensíveis à concentração, à formulação e às condições da aplicação.

Essa combinação cria um problema pouco visível. A copa ainda aberta facilita a passagem do ar, mas oferece uma superfície limitada para reter a pulverização. Se o equipamento mantiver a configuração utilizada em uma planta plenamente enfolhada, parte das gotas poderá atravessar a fileira ou se depositar fora do alvo.

Nessa fase, aumentar o volume sem avaliar a retenção pode apenas elevar as perdas. O objetivo é distribuir a quantidade necessária sobre uma superfície ainda pequena, evitando escorrimento para o solo. Por isso, a altura da vegetação e a posição dos brotos devem orientar quais bicos permanecem abertos e para onde o fluxo é direcionado.

Na floração, a cobertura deve alcançar estruturas delicadas

Com a abertura das flores, o alvo ganha outra distribuição. Em muitos frutais, elas aparecem em conjuntos e ficam próximas a ramos e folhas em expansão. A deposição precisa alcançar essas estruturas sem depender de pressão excessiva ou de um fluxo de ar incompatível com o porte da vegetação.

Além disso, a florada raramente avança de forma idêntica em todo o pomar. Diferenças de variedade, exposição solar, topografia e acúmulo de frio podem fazer com que uma parte da área apresente botões fechados enquanto outra já esteja em flor plena ou em queda de pétalas.

Antes da aplicação, a inspeção precisa verificar se o estágio predominante corresponde à janela indicada para o produto.

Também muda a decisão sobre o que aplicar. Não existe uma lista universal de inseticidas, fungicidas, nutrientes ou reguladores seguros para toda floração. Cada uso depende da cultura, do alvo, do estágio permitido e das restrições do rótulo. A recomendação de um profissional habilitado deve orientar a escolha.

Portanto, pulverizar no final da tarde ou utilizar um produto considerado seletivo não substitui a análise do rótulo. Horário, atividade dos polinizadores e risco de exposição fazem parte da decisão, mas não tornam adequado um uso proibido durante a florada.

Depois da queda das pétalas, folhas e frutos ganham espaço

Na sequência, a flor perde pétalas, ocorre a fixação inicial e os frutos começam a crescer. Ao mesmo tempo, os brotos se alongam e novas folhas ampliam o dossel. O alvo passa a ocupar mais volume, mas algumas estruturas produtivas ficam parcialmente protegidas pela vegetação.

A maior quantidade de folhas aumenta a interceptação das gotas nas camadas externas. Assim, os frutos recém-formados e as regiões internas podem receber menos produto, embora a superfície visível da planta pareça bem molhada. Esse contraste mostra por que volume aplicado e cobertura do alvo não são medidas equivalentes.

A regulagem deve acompanhar essa transição. Manter o mesmo conjunto de volume, ar, velocidade e distribuição entre os bicos pode gerar excesso nas áreas externas e falhas nos pontos internos. Nessa etapa, a avaliação da deposição em diferentes alturas e profundidades ajuda a indicar se as gotas acompanham a nova arquitetura.

Na prática, a passagem de uma fase para outra deve acionar uma nova conferência da regulagem. A altura e a profundidade do alvo, os bicos em funcionamento, o direcionamento e o fluxo de ar, a velocidade e o volume de aplicação devem ser revistos conforme a vegetação ocupa novos espaços. O objetivo não é aumentar automaticamente o volume, mas adequar a distribuição das gotas ao novo alvo, sempre de acordo com o rótulo, a recomendação agronômica e a calibração do equipamento.

Como adaptar a pulverização em floração?

A adaptação começa pela identificação do alvo predominante e continua na regulagem do equipamento. Volume, bicos em funcionamento, velocidade e fluxo de ar devem trabalhar em conjunto para distribuir as gotas na região que precisa ser protegida. Como essa configuração muda com o desenvolvimento da planta, a aplicação anterior serve como referência, mas não deve ser repetida sem uma nova avaliação.

A regulagem deve reproduzir a arquitetura encontrada

Em seguida, a regulagem deve reproduzir o alvo real do dia. O volume de aplicação, a seleção dos bicos, a pressão, a velocidade e o fluxo de ar atuam em conjunto. Alterar apenas um desses fatores pode modificar o tamanho das gotas, o alcance e a deposição.

Nos pulverizadores hidropneumáticos usados em fruticultura, o ar ajuda a transportar as gotas e a movimentar a vegetação. Entretanto, mais ar não significa automaticamente melhor cobertura.

De acordo com recomendações de especialistas em engenharia de aplicação na fruticultura e orientação técnica da Embrapa, a velocidade do pulverizador deve ser ajustada de acordo com a quantidade de ar necessária para que a pulverização alcance adequadamente o interior da copa das plantas.

Assim, o fluxo deve atravessar a vegetação o suficiente para conduzir as gotas ao alvo, sem carregar uma parcela relevante para fora da fileira. Quando o dossel ainda é pequeno, pode ser necessário fechar bicos direcionados acima ou abaixo da vegetação. À medida que a planta cresce, a distribuição precisa ser revista.

Para verificar o resultado, papéis hidrossensíveis podem ser posicionados em diferentes alturas, faces e profundidades da planta. A avaliação mostra onde as gotas chegaram, onde houve falhas e onde ocorreu concentração excessiva. Esse teste é mais confiável do que concluir pela aparência externa da planta ou pelo volume consumido no tanque.

Veja também:

Como videira e cerejeira alteram a operação?

Dois frutais representam bem como o desenvolvimento da planta modifica o alvo da pulverização. Na videira, brotos, folhas, inflorescências e cachos ocupam uma faixa de vegetação condicionada pelo sistema de condução.

Já na cerejeira, flores, folhas e frutos em formação se distribuem por uma copa com diferentes alturas e profundidades. Assim, embora as duas culturas atravessem brotação, floração e formação inicial dos frutos, as gotas percorrem caminhos distintos até alcançar o alvo.

De acordo com o levantamento Brasil Vitivinícola: Panorama Estratégico e Mapeamento da Cadeia de Valor da Vitivinicultura Brasileira A produção brasileira de uvas para consumo in natura e para industrialização ocupa 84,4 mil hectares, atinge 1,82 milhão de toneladas por ano e movimenta aproximadamente R$ 8,3 bilhões.

Já um levantamento da Esalq, aponta que a produção de cereja no Brasil tem ganhado destaque nos últimos anos, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, sendo as variedades Bing e Lapins as mais cultivadas.

A relevância desses cultivos amplia a importância de compreender como cada arquitetura interfere na regulagem.

Na videira, o sistema de condução muda o caminho das gotas

Na videira, a brotação dá início a um crescimento vegetativo rápido. As inflorescências ficam visíveis nos brotos e, com o avanço do ciclo, passam a dividir espaço com folhas em expansão. Depois da fecundação, os cachos em formação se tornam parte do alvo. Portanto, uma aplicação direcionada a brotos curtos encontra uma arquitetura diferente daquela observada na pré-floração ou durante o crescimento inicial das bagas.

O sistema de condução amplia essa variação. Em espaldeiras, parreirais ou outras formas de organização do vinhedo, altura, largura e densidade da faixa vegetativa modificam a distância e o caminho entre o bico e o alvo. À medida que os ramos se alongam, o direcionamento dos bicos e o fluxo de ar precisam acompanhar a vegetação produtiva, evitando tanto a passagem excessiva de gotas para além da fileira quanto sua concentração nas folhas externas.

Além da arquitetura, o risco fitossanitário varia durante o ciclo. Isso reforça a necessidade de relacionar o monitoramento da área, o estágio de desenvolvimento da cultura e as condições meteorológicas, sem transformar a primavera em um calendário fixo de aplicações.

Como proteger os polinizadores durante a aplicação?

Na floração, a proteção dos polinizadores começa pela leitura do rótulo. Se houver proibição de uso durante a florada ou com abelhas em atividade, a aplicação não deve ser realizada. Quando o uso for permitido, ainda é necessário cumprir as condições estabelecidas e reduzir a exposição direta ou por deriva.

A afirmação de que todo inseticida deve ser evitado durante a floração simplifica uma decisão que depende do ingrediente ativo, da formulação, do registro e da classificação de risco. Porém, o inverso também é inadequado: a autorização para determinada cultura não elimina as restrições específicas para abelhas. Por isso, produto, alvo, horário e presença de polinizadores devem ser avaliados em conjunto.

A legislação brasileira protege os polinizadores, especialmente as abelhas, por meio da Instrução Normativa IBAMA nº 2/2017, que exige avaliações de risco ambiental rigorosas antes de autorizar o registro ou uso de qualquer defensivo agrícola.

Com base nesses estudos técnicos, órgãos federais impõem restrições severas ou a proibição da pulverização foliar (tanto aérea quanto terrestre) de ingredientes ativos de altíssima toxicidade, como o tiametoxam e o fipronil, limitando sua aplicação a métodos que evitam o contato direto com as flores, como o tratamento de sementes e o sulco de solo.

Veja também:

No âmbito operacional e regional, as diretrizes da aviação agrícola do MAPA estabelecem zonas de exclusão que proíbem a pulverização aérea a menos de 250 metros de criações animais, o que inclui apiários e meliponários cadastrados.

Complementarmente, estados de forte atividade agrícola e apícola, como Rio Grande do Sul e São Paulo, regulamentam a obrigatoriedade de notificação prévia aos criadores de abelhas localizados em um raio de até 6 km das lavouras com 48 a 72 horas de antecedência, permitindo o manejo seguro das colmeias e mitigando os impactos da deriva.

Mesmo onde a comunicação não segue o mesmo procedimento legal, localizar colmeias e coordenar a operação com apicultores reduz conflitos e melhora a proteção. Também é necessário observar flores de plantas espontâneas ou da vegetação vizinha. Elas podem manter polinizadores ativos mesmo quando a cultura principal já está saindo da florada.

Quando a aplicação deve ser adiada?

O estágio correto da cultura não compensa uma condição meteorológica inadequada. Vento, temperatura, umidade, possibilidade de chuva e período de molhamento interferem no trajeto, na evaporação, na deposição e no tempo disponível para absorção ou secagem do produto.

Entretanto, não há um único limite válido para toda pulverização em floração. Os parâmetros devem seguir o rótulo, a recomendação agronômica, o tipo de equipamento e as regras locais. Também é preciso avaliar mudanças durante a operação, porque uma janela adequada no início do trabalho pode se fechar antes do término da área.

A aplicação deve ser adiada quando o vento direciona as gotas para colmeias, cursos d’água, moradias ou cultivos sensíveis; quando há polinizadores ativos e o produto impõe restrição; quando a previsão de chuva não respeita o intervalo indicado; ou quando temperatura e umidade aumentam o risco de evaporação e deriva. Da mesma forma, não se deve prosseguir se a regulagem não corresponde ao estágio atual do pomar.

O estágio dos frutais orienta quando revisar a regulagem

Durante a brotação, a floração e a formação inicial dos frutos, o intervalo entre uma regulagem e outra não deve ser definido apenas pelo número de dias. O crescimento dos brotos, a abertura das flores, a queda de pétalas e a formação dos frutos oferecem referências mais seguras para revisar a operação.

Assim, uma boa pulverização em floração combina três decisões: confirmar se há necessidade de tratamento, selecionar um produto autorizado para a cultura e para o estágio, e ajustar o equipamento à posição real do alvo. O acompanhamento da cobertura completa esse processo e indica se a estratégia planejada está funcionando no campo.

Pulverizadores para fruticultura precisam permitir que o operador direcione o fluxo de ar e a distribuição dos bicos conforme o porte e a condução das plantas.

Conheça as soluções Jacto para pulverização em frutais e avalie, com a assistência técnica da sua região, a configuração adequada para cada etapa do pomar.

Compartilhe !

Quer ainda mais dicas? Cadastre-se agora para receber nossa newsletter!

receba nossos conteúdos exclusivos gratuitamente por email!

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.
Ops! Captcha inválido, por favor verifique se o captcha está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.