Qual o impacto das mudanças climáticas na agricultura?

Qual o impacto das mudanças climáticas na agricultura?

É inegável que o clima e a atividade agrícola andam de mãos dadas. Sendo assim, o efeito das mudanças climáticas na agricultura tem um impacto muito significativo. E esse assunto é de grande importância para toda a sociedade, uma vez que o setor é responsável pelos meios de subsistência de todas os cidadãos.

Na linha de frente desse grande desafio está o produtor rural, que sente na pele e no bolso o prejuízo causado pelas mudanças climáticas.

Por isso, preparamos este post para ajudá-lo a entender um pouco mais sobre os efeitos que esse problema tem causado ao agronegócio e como o produtor rural pode se preparar para essa realidade. Acompanhe!

O que são mudanças climáticas?

O clima é definido como um conjunto de condições atmosféricas próprios de uma região. Assim, todo o ecossistema dessa área flui naturalmente quando as chuvas, a temperatura e a umidade funcionam dentro dos padrões climáticos normais para a localidade. No entanto, quando ocorrem alterações nessas condições, como temperaturas extremas, excesso de chuvas ou longos períodos de estiagem, a vegetação sofre, o que acaba afetando os animais e as pessoas do lugar.

Uma vez que as culturas precisam de solo, luz solar, água e calor adequados para se desenvolverem, quando o clima se modifica, toda a produção fica comprometida. Isso ocorre muito no Nordeste do Brasil, onde a redução da quantidade de chuvas, a diminuição das fontes de água e as altas temperaturas prejudicam a produtividade das propriedades rurais.

Além disso, mudanças nas temperaturas e na umidade podem contribuir para a proliferação de insetos, doenças, ervas daninhas e outras pragas nocivas à lavoura.

Mas o que causam essas mudanças climáticas? Elas podem ocorrer em decorrência de fenômenos naturais ou pelo impacto gerado por atividades humanas. A maior parte dessas alterações ocorreu a partir da Revolução Industrial, no século XVIII, com a emissão de gases poluentes na atmosfera, como o dióxido de carbono (CO²).

Essa poluição está relacionada à queima de combustíveis fósseis para a geração de energia, como a que ocorre em operações industriais, de transporte e de atividades da agropecuária. Mas como essas mudanças climáticas podem afetar o agronegócio?

Qual vai ser o impacto no Brasil e no seu agronegócio?

A agricultura, não só no Brasil, mas em todo o mundo, pode sofrer um impacto muito significativo. Na verdade, os efeitos das mudanças climáticas já são sentidos há algum tempo.

Um relatório realizado pela Embrapa, que buscou prever os efeitos das mudanças climáticas na agricultura brasileira, previu:

  • redução média de 30% na produção de trigo;
  • redução média de 16% na produção de milho;
  • redução das áreas de cultivo de café, chegando a 95% de perdas em Estados como Goiás, São Paulo e Minas Gerais.

Na verdade, não é nem mesmo necessário realizar projeções para verificar o prejuízo de alterações nas condições climáticas na agricultura. Por exemplo, em 2017, os produtores do Distrito Federal deixaram de faturar R$ 600 milhões por causa da falta de água. Um dado recente divulgado pela Faeg (Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás) informa que o atraso na chegada das chuvas causará uma redução de 2,2% na produção de grãos na região em 2018.

Estudos mostram que tais situações têm se agravado ao longo dos anos. Um relatório da ANA (Agência Nacional de Águas) divulgado pela Folha revelou que, ao longo de 13 anos, as ocorrências de secas cresceram 409% no país.

Sendo assim, podemos concluir que o produtor rural terá que aprender a lidar com essas situações a fim de manter ou aumentar sua produtividade. Como isso é possível? Vejamos.

Como se preparar para enfrentar as mudanças climáticas na agricultura?

Apesar dos efeitos negativos decorrentes das mudanças climáticas na agricultura, existem formas de reduzir os danos ou se adaptar às condições climáticas desfavoráveis. Há práticas agrícolas já amplamente conhecidas que podem diminuir as emissões de gases poluentes em atividades do setor agrícola, otimizar o uso do solo e aprimorar o manejo das culturas. Mas tudo isso exige um bom planejamento.

Em vista disso, em 2010,  o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou o Plano Setorial de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura, conhecido também como Plano ABC. Esse programa prevê diversas inciativas que ajudam o produtor rural a se preparar. Entre as ações, estão elencadas:

Integração entre a lavoura, a pecuária e floresta comercial

A ideia é propor uma produção mais sustentável, integrando atividades pecuárias, agrícolas e florestais em uma mesma área, em sistema de cultivo consorciado, rotacionado ou de sucessão. Com isso, o agricultor consegue alcançar uma sinergia maior entre os diversos componentes desse sistema e usufruir das vantagens de cada cultura.

Por exemplo, o plantio de árvores, como o pinus e o eucalipto, além de contribuir para o sequestro de carbono, pode também se tornar uma fonte de renda para o produtor.

Ampliação do sistema de plantio direto

No sistema de plantio direto, o solo não é preparado de modo convencional, com aração e gradagem. A técnica consiste em manter o solo coberto por plantas em desenvolvimento e outros tipos de resíduos vegetais, como palha. Essa cobertura orgânica visa proteger o solo contra o impacto direto da chuva e de erosões hídricas e eólicas.

Esse modelo de cultivo preserva a umidade do solo, conservando suas propriedades, aumenta a eficiência da adubação, reduz o uso de defensivos agrícolas e insumos e diminui a emissão de gases do efeito estufa.

Investir em culturas adaptadas ao semiárido

Uma das mudanças climáticas na agricultura mais observáveis e notórias é a seca, especialmente no Nordeste brasileiro. Por isso, pesquisadores têm apresentado as culturas da Caatinga como a solução para esse problema. Ao usar plantas mais tolerantes à seca, como a palma, o produtor terá alimento necessário para sustentar seu gado.

Existem também muitas leguminosas, como jurema, catingueira e angico, e frutas, como umbu, maracujá-do-mato e juazeiro. Essas espécies são muito bem adaptadas à região e podem ser comercializadas para o consumo humano.

Implementar a gestão de riscos

Existem ainda tecnologias que podem otimizar o uso do solo, de insumos agrícolas e dar maior inteligência à gestão da lavoura. Essas ferramentas providas pela agricultura de precisão são capazes de analisar o solo, o clima e a plantação para propor as melhores soluções.

Essas tecnologias, que abrangem equipamentos, sensores (como GPS) e softwares, podem auxiliar o produtor rural na tomada de decisões e contribuir para que atividades de plantio, adubação, irrigação, colheita e aplicação de defensivos sejam feitas de modo mais eficiente, reduzindo custos e diminuindo o impacto ambiental.

Por meio desses recursos, o agricultor consegue identificar suas vulnerabilidades diante das mudanças climáticas e se planejar para melhor lidar com essas adversidades.

Gostou das nossas dicas? Então, saiba como enfrentar um dos maiores sintomas das mudanças climáticas na agricultura: a seca, lendo nosso post: Estiagem: 6 maneiras de sobreviver ao período de seca na agricultura.

Comments (2)

  1. Foi uma informacao muito util para mim como agronomo e estudante do Mestrado em Mudanca Climatica. Mocambique ja comecou a ressentir os efeitos das mudancas climaticas no sector de agricultura e pecuario. O calendario das sementeiras mudou devido ao atraso da queda das chuvas e as estiagens se repetem com muita frequencia.
    Um abraco

    1. Julio, ficamos muito satisfeitos em saber que o conteúdo foi útil para você. Agradecemos a sua parceria e confiança. Continue nos acompanhando, toda semana tem conteúdo novo. Abraço!

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