4 dicas para avaliar a qualidade do solo na lavoura

4 dicas para avaliar a qualidade do solo na lavoura

A qualidade do solo é um dos fatores influenciadores na produtividade e na qualidade de uma lavoura. E não é para menos! Afinal, o solo é muito mais do que um simples substrato. Ele é o responsável também por levar água e nutrientes aos cultivos, reciclar a matéria orgânica, filtrar poluentes e manter pragas sob controle.

Entretanto, todos esses papéis cruciais ao sucesso de uma lavoura só podem ser realizados de maneira eficiente por um solo saudável, equilibrado e corretamente manejado. Para que ele possa ser considerado de qualidade, uma quantidade enorme de indicadores — físicos, químicos e biológicos — devem ser analisados, bem como a inter-relação e a interdependência entre eles.

Quer saber mais sobre como avaliar a qualidade do solo em sua lavoura e, assim, passar a aplicar técnicas de manejo e conservação adequadas? Então não deixe de conferir as 4 dicas que listamos abaixo!

1. Considere os indicadores físicos

Os indicadores físicos da saúde do solo estão diretamente ligados à maneira como as partículas que o formam são arranjadas e distribuídas. Caso estejam muito compactadas, por exemplo, a porosidade do solo cai consideravelmente, o que acaba influenciando a densidade e a capacidade de retenção hídrica do substrato.

Assim, é imprescindível considerar os fatores físicos no momento de avaliar a qualidade do solo de sua lavoura. Confira abaixo os principais:

  • porosidade;
  • densidade;
  • estabilidade de agregados;
  • textura;
  • encrostamento superficial;
  • compactação;
  • condutividade hidráulica;
  • capacidade de armazenamento de água disponível.

Os fatores físicos, quando desequilibrados, afetam de maneira significativa a produtividade da lavoura, pois limitam o crescimento radicular e a emergência das plântulas.

Além disso, a capacidade de infiltração e o movimento de água entre os perfis do solo podem ser prejudicados, o que diminuiu a disponibilidade de água às culturas.

2. Aprenda um pouco de química

Se você deseja avaliar a qualidade do solo de sua propriedade com maestria, será necessário aprender um pouco de química, mesmo que não tenha sido sua disciplina preferida em tempos de colégio. Os indicadores químicos são essenciais para entender como anda a saúde dos solos da lavoura.

As características químicas do solo influenciam diretamente as relações dele com as culturas, bem como a qualidade e a quantidade de água e nutrientes disponíveis às plantas e demais organismos responsáveis pelo equilíbrio do ecossistema.

A mobilidade de contaminantes e poluentes e o poder tampão também são fatores de natureza química muito importantes e determinantes na qualidade dos substratos agrícolas.

Além disso, as características químicas do solo estão intrinsecamente ligadas aos aspectos físicos, afetados por elas de maneira direta — como a tendência à compactação e formação de crostas superficiais.

Alguns indicadores químicos de qualidade do solo costumam ser analisados. Veja:

  • pH;
  • salinidade;
  • capacidade de troca de cátions (CTC);
  • capacidade de suprimento de nutrientes às plantas;
  • concentração de elementos potencialmente contaminantes (mercúrio, arsênico, demais metais pesados e elementos radioativos);
  • concentração de micro e macronutrientes.

3. Conheça os bioindicadores

Como já mencionamos, o solo não é um substrato inerte. Muito pelo contrário. Estima-se que, em um grama, podem existir até 100 milhões de microrganismos das mais distintas espécies, que desempenham suas funções biológicas específicas em um delicado equilíbrio.

Assim, o solo pode ser considerado um ecossistema vivo. E, como em todo ecossistema, as alterações em sua qualidade afetam diretamente as populações que coexistem ali.

É por isso que os chamados bioindicadores são tão importantes na hora de determinar a qualidade do solo. Eles são considerados uma maneira confiável de identificar possíveis alterações negativas no substrato em tempo hábil para revertê-las. Isso porque que os elementos biológicos reagem muito mais rapidamente a mudanças no manejo e nas técnicas de plantio do que os de natureza física e química.

Por exemplo, a medição da quantidade de ergosterol por grama de solo pode dar excelentes indicativos da sua saúde. O ergosterol é um produto de origem fúngica com papel fundamental na formação de agregados, bem como na manutenção de sua estabilidade.

Assim, caso a quantidade de ergosterol não seja suficiente, a sua lavoura poderá apresentar problemas.

Entre outros bioindicadores igualmente importantes para a análise da qualidade do solo, temos:

  • quantidade de matéria orgânica;
  • diversidade de espécies animais e microbiológicas;
  • biomassa microbiana;
  • nível de respiração;
  • quantificação e qualificação de enzimas presentes;
  • quantidade de minhocas e nematoides;
  • velocidade de decomposição.

4. Leve ao laboratório

Se você acompanhou a leitura deste artigo até aqui, já deve estar ciente da grande quantidade de indicadores que devem ser levados em consideração na hora de determinar a qualidade do solo, não é mesmo?

E, mais do que isso, é extremamente importante saber como cada um desses indicadores (físicos, químicos e biológicos) relacionam-se entre si e influenciam um ao outro.

Por exemplo, se a capacidade de retenção de água está baixa, isso afetará radicalmente o transporte de nutrientes às plantas, bem como a microbiota local, em especial os fungos. Ou seja, a qualidade do solo como um todo é abalada a partir do desequilíbrio de apenas um indicador, em uma reação em cadeia bastante prejudicial.

Mas como é possível avaliar, quantificar e interpretar tantos indicadores ao mesmo tempo? A melhor pedida, sem dúvidas, é coletar amostras de solo de suas propriedades e enviá-las a um laboratório especializado nesse tipo de análise.

Esses locais contam com uma ampla gama de equipamentos e máquinas exclusivamente criadas para examinar cada indicador de qualidade do solo com precisão e exatidão. Munido desses resultados, você poderá traçar estratégias de manejo que visem a restabelecer o equilíbrio e a saúde dos solos. O resultado? Produtividade em alta, economia em insumos e fertilidade em longo prazo.

A situação não é das melhores. E agora?

Ok, você analisou precisamente todos os indicadores necessários para atestar a qualidade de seus solos e o resultado não foi dos mais animadores. E agora? O que fazer?

Antes de sair comprando toneladas de insumos e fertilizantes, saiba que não é necessário gastar fortunas para que o solo de sua lavoura volte a ser saudável. Em muitos casos, adicionar adubação de maneira equivocada pode, inclusive, piorar a situação!

Na verdade, na maioria das vezes, a alteração da forma de manejo é a peça-chave quando o objetivo é elevar a qualidade do solo. Técnicas de plantio direto, rotação de culturas e adubação mais eficaz são excelentes exemplos de metodologias que tendem a melhorar a saúde do solo.

O resultado da obtenção de um solo equilibrado você poderá conferir na prática: maior produtividade e fertilidade, além de menos infestação por pragas!

Se quiser saber mais sobre isso, não deixe de acompanhar este outro artigo publicado aqui no blog, que explica o passo a passo de como fazer a adubação da maneira correta em tempos de agricultura de precisão. Até a próxima! 

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