Agregados do solo: entenda o que são e por que a estabilidade importa | Tecnologia para agricultura - Blog da Jacto

Agregados do solo: entenda o que são e por que a estabilidade importa

A fertilidade dos solos é uma questão crucial para a atividade agrícola e, consequentemente, para a vida humana. Não é à toa que há muitos investimentos em pesquisas e desenvolvimento de técnicas, processos e sistemas com o objetivo de aumentar a produção.

O desafio é tentar não exaurir os substratos, evitando que fiquem inférteis e contaminados. Afinal, é imprescindível garantir a subsistência das próximas gerações, certo?

Dentro desse contexto, muito pouco se fala sobre a importância dos agregados do solo e do papel crucial que exercem na manutenção da saúde das áreas agrícolas.

Quer entender um pouco mais sobre esse assunto? Então não deixe de conferir a leitura do post de hoje! Vamos lá?

O que são agregados do solo?

Quando se fala em equilíbrio dos substratos agrícolas, uma das questões que mais confundem os agricultores são os agregados do solo. Muitas vezes, eles são confundidos com torrões, mas a verdade é que são dois conceitos absolutamente distintos, e até mesmo antagônicos.

O termo “agregados do solo” descreve o resultado de diversos processos biológicos, físicos e químicos que, juntos, promovem a união de partículas. Por meio da interação da atividade microbiana, exsudatos de raízes e matéria orgânica, são formadas pequenas estruturas que possuem um papel importantíssimo na manutenção da saúde de um substrato: os agregados.

Dentro do ecossistema do solo, eles são os responsáveis por proteger o carbono disponível no solo da oxidação, o que, por sua vez, acaba contribuindo para a criação de um ambiente ideal ao desenvolvimento de plantas.

Assim, a presença de agregados do solo é, hoje em dia, considerada um excelente indicador da qualidade e da saúde de um substrato. Em função de sua rugosidade e porosidade características, eles contribuem para uma melhor infiltração de água, maior estabilidade, menor erosão e aumento da quantidade de matéria orgânica disponível, além de permitirem o desenvolvimento de raízes entre eles.

Já a compactação dos solos, que dá origem aos torrões, é um processo altamente negativo, que exerce influência direta na queda de produtividade da produção agrícola.

Ao contrário dos agregados, os torrões são formados basicamente pela pressão exercida por máquinas agrícolas em solos desprotegidos. Os torrões possuem coloração opaca e sua estrutura extremamente compactada não permite o desenvolvimento de raízes, além de dificultar a infiltração de água nos perfis inferiores do solo e contribuir para processos erosivos.

O que pode prejudicar a agregação do terreno?

Muitas das práticas agrícolas amplamente utilizadas ao longo das últimas décadas revelaram-se significativamente prejudiciais à agregação do solo. O uso intensivo do substrato, com a utilização do chamado plantio convencional, é uma das principais.

O revolvimento, prática relacionada ao plantio convencional, rompe os agregados do solo e expõe ao ar a matéria orgânica (antes “protegida” pela partícula). Com isso, ela fica muito mais suscetível à oxidação, o que diminui os estoques de carbono do solo, prejudicando seriamente seu equilíbrio. 

O revolvimento também é indiretamente responsável pela aceleração dos processos erosivos, visto que, ao promover a destruição dos agregados, a capacidade de infiltração de água e a penetração das raízes no substrato também acabam prejudicadas. Em longo prazo, isso pode mudar drasticamente as características de um terreno.

A queima da palha após a colheita, outra técnica bastante utilizada por alguns agricultores, também influencia negativamente a formação e estabilidade dos agregados do solo. A queima mata grandes quantidades de micro-organismos nativos da região, que participam diretamente da formação dos agregados.

Como garantir a maior estabilidade dos agregados?

Praticamente todo produtor agrícola sabe o quanto é crucial o manejo adequado dos solos. E não é para menos! Afinal, solos manejados de maneira equivocada tendem a ter sua fertilidade e equilíbrio seriamente prejudicados. O resultado? Perdas consideráveis de produtividade, maior suscetibilidade à infestação por pragas e, em casos extremos, até mesmo a inviabilidade total do uso da área com fins agrícolas.

Tendo isso em vista, garantir a manutenção e a estabilidade dos agregados do solo é essencial, já que o processo de desagregação restringe o desenvolvimento de raízes e afeta diretamente o aporte de água e nutrientes às plantas.

Por outro lado, um solo com agregados estáveis comprovadamente oferece maior resistência às forças de desagregação promovidas pela água e pela utilização de maquinário agrícola pesado.

Assim, caso um solo apresente agregados que se desintegram com facilidade, isso é um importante indicativo de que a área não está sendo manejada da melhor maneira.

Mas afinal, como manejar corretamente o solo e, assim, garantir a maior estabilidade dos agregados, promovendo a saúde e a fertilidade do terreno? Entre as estratégias que vêm sendo adotadas por diversos produtores, as práticas de agricultura conservacionista são as principais. 

Entre elas, o plantio direto (sistema de manejo em que a palha e os restos da cultura anterior são deixados na superfície do solo) tem o poder de reduzir o impacto das gotas de chuva no substrato devido à presença da palha, além de atenuar as variações de temperatura e manter estáveis os níveis de umidade junto ao solo. Essas características, somadas ao não revolvimento antes da semeadura, fazem do plantio direto uma importante ferramenta na manutenção da estabilidade dos agregados do solo.

Do mesmo modo, as chamadas ILP (Integração Lavoura-Pecuária) e a ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) também contribuem positivamente para essa questão. Esses sistemas de manejo exploram a pecuária e a lavoura (além das florestas, no caso da ILPF) de maneira integrada, em rotação ou sucessão, em uma mesma área. Além de aumentar a eficiência do uso do solo, esse método agride menos o meio ambiente e estabiliza o ecossistema, o que contribui efetivamente para a manutenção dos agregados do solo.

Por fim, a presença da chamada meso e macrofauna do solo, como as minhocas, também tem um papel fundamental na formação e estabilização dos agregados. Esses animais alimentam-se de partículas do substrato ao mesmo tempo em que se movimentam, criando espaços por onde o ar e a água circulam livremente, deixando o solo mais poroso. Além disso, seus excrementos são parte fundamental na formação de agregados estáveis e resistentes a forças desagregadoras.

Em conjunto, as técnicas conservacionistas de manejo de solos têm o poder de manter a capacidade de agregação do terreno e, mais do que isso, preservar a estabilidade das partículas ao longo do tempo. Basta testá-las e colher os frutos antes mesmo do que você imagina: agregados do solo estáveis e contribuindo para aumentar a produtividade de suas áreas!

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