Aprenda a garantir a eficácia de defensivos agrícolas

Aprenda a garantir a eficácia de defensivos agrícolas

Os defensivos agrícolas são produtos eficazes no controle de pragas e doenças que atacam as plantações. No entanto, os resultados não são automáticos. Na verdade, existe muita preocupação sobre os prejuízos que esses químicos podem trazer ao meio ambiente e à saúde das pessoas.

Esse receio pode ser sanado se forem tomados os devidos cuidados no momento da aplicação desses produtos. É sobre isso que vamos falar neste post, a fim de que você garanta a eficiência no uso dos defensivos. Confira!

Qual o verdadeiro potencial dos defensivos agrícolas?

Os defensivos são muito importantes para o desenvolvimento da produção, uma vez que protegem a plantação contra agentes biológicos nocivos. De fato, eles são muito eficientes e seguros.

Para que cheguem ao mercado a fim de serem comercializados, passam por um rigoroso processo de registro, que abrange testes de avaliação toxicológica supervisionado pela Anvisa e pelo Ministério da Saúde, além de avaliação ambiental para averiguar qual seu impacto na atmosfera, no solo e na água. Certas práticas, porém, podem reduzir seu potencial, como veremos a seguir!

O que pode atrapalhar a aplicação?

Apesar de amplamente usados, algumas práticas podem comprometer a eficácia dos defensivos e, com isso, reduzir sua eficiência:

Uso excessivo e repetitivo dos mesmos defensivos

A aquisição de um produto para tratar uma praga específica, usando-o várias vezes na mesma safra não é adequada. Os defensivos são desenvolvidos para tratar alguns mecanismos de ação da praga ou doença. O uso indiscriminado faz com que o produto perca a eficiência com o tempo.

A eficácia do químico começa acima dos 90% (chegando a 100% em alguns casos) e, ao longo dos anos, esse índice vai caindo por conta do uso repetitivo. Isso ocorre porque, com a aplicação excessiva e prolongada, inicia-se um processo de resistência em relação a alguns alvos.

É necessário, portanto,  que se apliquem métodos de manejo sustentáveis, diversificação de culturas e alternância ou rotação de defensivos que atuam de formas diferenciadas. Isso pode evitar que se desenvolvam pragas ou doenças resistentes na lavoura.

Deriva

A deriva ocorre quando os defensivos agrícolas não atingem os locais desejados em razão do deslocamento do produto, seja por causa da ação do vento, que causa evaporação, deslocação ou escorrimento do produto no momento da aplicação.

Esse problema pode ocorrer em resultado do alto volume de defensivo aplicado, produzindo gotas grandes, além do tamanho que as superfícies foliares são capazes de reter. Com isso, as gotículas se juntam e escorrem para o solo.

A deriva pode causar danos ambientais quando os defensivos se deslocam para culturas mais sensíveis, além de ser fonte de desperdício.

Mistura

Cerca de 95% dos produtores fazem misturas. Se no momento da combinação de produtos em tanque o produtor não souber como os químicos interagem e reagem entre si, ele pode comprometer a eficácia da aplicação.

Na verdade, se todo o processo de pulverização não for realizado de maneira adequada, a eficiência dos produtos pode ser prejudicada. Desde a compra do produto, o processo de mistura dos defensivos até a pulverização, cada fase gera perdas e, se o agricultor fizer de forma inadequada, os danos serão maiores.

Qualidade da água

A água utilizada na pulverização pode não ser capaz de preservar as propriedades químicas dos defensivos, diminuindo sua eficácia. Um dos fatores hídricos que estão envolvidos nisso é o pH, ou seja, sua acidez ou alcalinidade. Por exemplo, tem-se observado que herbicidas do grupo das imidazolinonas são absorvidas pelas folhas mais facilmente quando o pH da água está em torno de 4 ou 4,5.

No entanto, outros fatores relativos à água também podem influenciar, como:

  • dureza total: marcado pela presença do carbonato de cálcio (CaCO3), resíduos e matéria orgânica;
  • altos teores de argila: reduz a meia-vida do produto;
  • quantidade de íons: por exemplo, íons Fe+3 e Al+3 podem reagir com os defensivos e reduzir sua eficiência.

Como garantir a eficácia dos defensivos agrícolas?

Para obter sucesso na aplicação de defensivos agrícolas, é importante seguir boas práticas. Fique atento às principais!

Cuide da segurança da operação

O primeiro passo é proteger o operador contra intoxicações causadas por defensivos. Embora isso não influa na eficácia da aplicação dos produtos em si, seguir as normas relativas ao uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), como luvas, avental e botas, garante a segurança total da operação.

Deve dar-se atenção também à segurança ambiental, pois contribui para uma produção mais sustentável e reduz o desperdício no uso de químicos na colheita. Por exemplo, quando o produtor trabalha acima dos limites de vento e temperaturas, ele perde o produto para o ambiente, por deriva.

Assim, é preciso respeitar as normas e limites definidos na bula. Se ele não respeitar as regras, não só reduzirá a eficiência dos defensivos, mas também causará danos aos recursos naturais que o cerca, vitais para a lavoura.

Escolha do produto certo

Cada cultura tem necessidades e riscos específicos. Sendo assim, é muito importante que o produtor escolha o produto com cuidado, cuja eficiência seja comprovada de acordo com os objetivos a serem alcançados.

O passo inicial é identificar quais doenças ou pragas poderiam causar danos àquela plantação específica. A partir daí, o produtor deve buscar conhecer os defensivos que sejam mais adequados a cada tipo de cultivo e praga.

Além disso, é necessário verificar se o defensivo é registrado no ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Dê atenção à pulverização

Esse é um aspecto fundamental, pois está relacionado ao instrumento por meio do qual a aplicação de defensivos é feita. A pulverização inadequada pode gerar custos adicionais ao produtor em virtude de desperdício de produtos, especialmente quando a área a ser coberta é muito grande.

Por isso, alguns fatores devem ser levados em conta no momento da pulverização:

  • alvo e área de aplicação: qual o objetivo do procedimento e qual a sua posição? Está nas folhas, no solo, no tronco, etc.;
  • clima: fatores como temperatura, velocidade do vento e umidade do ar influenciam na eficiência da aplicação;
  • cobertura e volume: é necessário definir a correta proporção entre cobertura e volume de produtos aplicado;
  • bicos de pulverização: cada item desses tem aplicabilidades diferenciadas, tornando necessário que o produtor escolha o que mais se adéqua aos seus objetivos.

Um recurso que auxilia o produtor na escolha do bico mais apropriado é o Jacto Smart Selector, um aplicativo para smartphone disponível gratuitamente para download nas plataformas Windows, Android e iOS.

Para usar a aplicação, não é necessário ter nenhum conhecimento técnico, pois ela já exibe uma lista com cinco alternativas de bicos mais adequados, bastando inserir dados relacionados a:

  • produto;
  • equipamento;
  • velocidade do vento;
  • velocidade de aplicação;
  • umidade do ar;
  • espaçamento entre bicos.

Utilize a tecnologia a seu favor

Diversas tecnologias podem auxiliar o produtor no uso de defensivos, tornando o processo mais eficiente.

Por meio da telemetria em pulverizadores, por exemplo, é possível utilizar informações de melhores condições de aplicação, como dados meteorológicos e do terreno. Além disso, o produtor consegue visualizar registros e verificar se está sendo eficaz dentro das condições ideais de uma cultura.

Esse recurso é utilizado pelo Otmis Maps, um software capaz de reduzir as taxas de sobreposição, evitando que o produto seja aplicado diversas vezes no mesmo local, o que poderia causar resistência contra defensivos.

A telemetria está dentro de uma tendência conhecida como agricultura de precisão, que engloba um conjunto de técnicas avançadas de manejo. São metodologias que lançam mão de dados vindos de dispositivos eletrônicos, como GPS e sensores. Essas informações dão base para a tomada de decisão no campo, otimizando o uso de produtos, como defensivos e nutrientes.

A correta aplicação de defensivos agrícolas depende de muito conhecimento e prática em campo. Por isso, é preciso investir na busca dos melhores produtos e de empresas e universidades que investem em pesquisas e disponibilizam diferentes modelos de equipamentos e cursos de aperfeiçoamento. Não se pode negligenciar também o suporte do agrônomo ao longo de todo o processo.

Gostou do conteúdo e quer receber mais informações em primeira mão? Então, assine nossa newletter e fique por dentro das melhores práticas!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Share This