Equipamento de Proteção Individual – EPI agrícola: conhecendo melhor o seu uso. | Tecnologia para agricultura - Blog da Jacto

Equipamento de Proteção Individual – EPI agrícola: conhecendo melhor o seu uso.

Assim como as pessoas de diversas áreas de produção utilizam equipamentos que as protegem, no setor agrícola, o EPI é uma ferramenta de trabalho e o seu uso é muito importante para preservar a saúde do homem no campo. Por isso, ele se tornou obrigatório por lei. Vamos falar um pouco sobre a importância e o uso correto de EPIs.

Intoxicação

Tenha em mente que o EPI é um auxiliar na proteção e não deve ser considerado como único meio de se proteger. Para que o trabalhador esteja seguro e evite os riscos de intoxicação, ele deve usar EPI de boa qualidade e da maneira correta, manter os pulverizadores sem vazamentos, calibrados e aplicar o agroquímico em condições favoráveis de clima (temperatura <30°, umidade relativa do ar >50% e ventos inferiores a 10 km/h).

Outras recomendações são: não coma, não beba, não fume e não pegue objetos pessoais com a luva contaminada. Proteja os olhos. Não se deixe enganar pela quantidade: o que pode ser apenas uma gota, talvez contenha o produto concentrado. As estatísticas apontam que mais de 90% dos casos de intoxicação ocorrem por absorção pela pele, 5% por via oral e 2% por via respiratória. A pele é o maior órgão do corpo humano e precisa de cuidados especiais.

A intoxicação pode causar uma série de efeitos na saúde. Alguns sintomas surgem imediatamente após o uso e outros até anos depois e podem causar danos irreversíveis. Fique atento aos sintomas no dia-a-dia, como dores de cabeça, dificuldade respiratória, diarréia, manchas ou irritações diferentes em sua pele, fraqueza e impotência. Lembre-se: o risco depende do tempo de exposição e da TOXICIDADE do produto químico.

Como compor o EPI?

O EPI é composto por um conjunto de itens que ajudam na proteção do trabalhador. Ele é indicado pelo engenheiro agrônomo ou técnico de segurança, de acordo com a cultura, pulverizador, condições climáticas, etapas de manipulação e condições de aplicação. No rótulo de cada agroquímico também há a indicação dos tipos de EPIs necessários para uso. O kit de EPI pode ser composto por: touca árabe, viseira, camisa, avental, luvas, calça, bota e máscara.

Alguns itens merecem destaques:

Luvas nitrílicas ou de neoprene: essas luvas protegem as mãos contra contaminações químicas. É importante usá-las durante o tempo todo que manusear o produto. Caso a aplicação seja direcionada para cima, as luvas devem ser colocadas do lado de fora da manga. Quando for direcionada para baixo, as luvas devem estar do lado de dentro da manga.

Avental: é muito importante que durante o preparo da calda o avental seja usado na parte da frente do corpo. Já durante a aplicação, ele deve ser usado atrás, como forma de minimizar atrito ou evitar contaminação nas costas em situações como o uso de pulverizadores costais.

Botas: devem ser fabricadas em material de PVC, pois botinas de couro podem absorver o agrotóxico. Use-as por dentro da calça para evitar que o produto escorra para os pés.

Vestimenta: preferencialmente deve ser feita com tratamento hidrorrepelente para oferecer segurança e conforto térmico ao usuário. Quando necessário, algumas partes, como braços e pernas, podem ser impermeáveis para oferecer maior proteção ao operador. Escolha vestimentas que ofereçam qualidade e durabilidade.

Muitas vezes, encontramos no mercado EPIs de baixo custo com baixa qualidade. Isso prejudica a segurança do operador, uma vez que esses itens não possuem características de proteção recomendadas. Além disso, a baixa durabilidade exige que o EPI seja trocado com poucas horas de trabalho, aumentando o valor investido com esses itens.

Verifique o comprimento do avental e se ele protege amplamente até a altura dos joelhos. O comprimento da touca árabe deve proteger totalmente o pescoço e parte do ombro do trabalhador. A viseira precisa ter uma espuma frontal interna de qualidade, caso contrário pode absorver calda e gerar sério risco de contaminação. Observe se o tamanho das vestimentas não encolhe após a lavagem. Lembre-se que é importante a durabilidade não só do tecido, mas também da hidrorrepelência.

Um teste simples que pode ser feito no campo é o “teste da gota”. Faça gotas de água sobre o tecido, aguarde 10 minutos e observe. Se ao olhar dentro da gota, a trama do tecido parecer maior do que a trama externa, o que é chamado de efeito lente de aumento, e, se ao retirar as gotas o tecido não estiver molhado, o tecido está dentro da vida útil. No entanto, se a trama for similar dentro e fora da gota ou se o tecido molhar, a chance da vida útil do tecido estar ultrapassada é muito grande. Verifique se a vestimenta possui o selo QUEPIA de qualidade. Ele foi criado pelo IAC e demonstra que seu fabricante se preocupa com qualidade e segurança dos equipamentos que produz.

Como lavar a vestimenta do kit EPI?

Para preservar o seu EPI, ele precisa ser descontaminado logo após seu uso. Para lavá-lo, separe-o das roupas comuns. O EPI não pode ser deixado de molho, nem ser esfregado. Ele tem que ser lavado com sabão neutro. Não se pode usar cloro, alvejante e nem amaciante, pois esses itens podem retirar a hidrorrepelência.

Após a lavagem, o EPI deve ser enxaguado, secado à sombra e passado a ferro bem quente. Isso reativa a repelência e proporciona uma maior durabilidade. Não passe o ferro nas partes impermeáveis do tecido.

Após o fim da vida útil do seu EPI, ele deve ser totalmente descontaminado, inutilizado e descartado em lixo comum.

Normas e leis

Todo EPI deve ter o CA – Certificado de Aprovação emitido pelo Ministério do Trabalho que garante o cumprimento da NR 31 e atesta o nível de proteção de segurança dos equipamentos. A NR 31 é uma norma regulamentadora do Ministério do Trabalho para a saúde e segurança e atribui responsabilidades ao empregador e ao trabalhador rural.

Segundo a norma, é obrigação do empregador fornecer e manter o EPI limpo e adequado para o trabalho, assim como instruir e exigir o seu uso, treinar, fiscalizar e substituir os EPIs danificados ou vencidos. CUIDADO – o não cumprimento de qualquer uma dessas ações pode gerar problemas trabalhistas ao empregador.

Cabe ao trabalhador usar e cuidar bem do EPI, notificando o responsável sobre a necessidade de troca. Caso não cumpra tais obrigações, o trabalhador pode ser demitido por justa causa.

Para fiscalização, o empregador deve possuir e guardar documentos que comprovem suas obrigações relacionadas ao EPI. Alguns documentos que podem auxiliar são: nota fiscal de aquisição, número do certificado de aprovação de registro do Ministério do Trabalho, comprovante de entrega do EPI assinado, advertência formal pelo não uso do EPI (se houver) e certificado de treinamento de aplicação de agrotóxicos, que pode ser dado por diferentes instituições, inclusive o SENAR.

Com mais segurança, você terá mais disposição e qualidade de vida para aproveitar os momentos e as pessoas que são especiais para você.

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