Como começar a exportar soja da sua lavoura?

Como começar a exportar soja da sua lavoura?

O Brasil é hoje o segundo produtor mundial de soja. Segundo dados divulgados pela Embrapa, a última safra 2017/2018 totalizou quase 117 milhões de toneladas de grãos. Não é para menos que essa cultura tem chamado a atenção de muitos produtores.

Mas como começar a exportar soja e expandir ainda mais os lucros do seu negócio? Separamos aqui algumas dicas para você. Confira!

Por que exportar soja?

Quando se fala em exportação no agronegócio, a soja é uma das culturas de maior destaque, tanto pelas características e utilidades do grão quanto pela capacidade produtiva do Brasil no cenário mundial. Considere algumas vantagens:

Dólar atrativo para exportação

Embora alguns setores da economia brasileira sejam afetados pela alta do dólar, a agricultura se beneficia bastante da valorização da moeda americana. Uma vez que a exportação é negociada em dólar, mesmo em países que não o usam, o produtor rural consegue tirar uma boa margem de lucro nessas transações internacionais.

Mercado de grande relevância internacional

A produção de soja é uma das atividades de maior destaque no mercado agrícola internacional. Por ser rica em proteínas, ela é cultivada para consumo tanto humano quanto animal.

Além disso, a soja passa por um processo de industrialização que gera uma grande variedade de produtos, sendo o farelo e o óleo os mais conhecidos. Mas também podemos citar xampus, detergentes e biodiesel.

Grande potencial de crescimento

Segundo o relatório Perspectivas Agrícolas 2017-2026 divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), estima-se que o crescimento da produção de soja no Brasil cresça 2,6% ao ano, contra 1% ao ano entre os americanos.

Isso significa que em poucos anos a produção brasileira vai ultrapassar os Estados Unidos como a maior do mundo. Vale ressaltar que, juntos, os EUA e o Brasil representam quase 80% da produção mundial do grão!

Produção sempre em alta

Assim como o milho, a produção de soja tem uma demanda sempre em alta, tornando-se uma das culturas mais interessantes no cenário nacional e internacional. Dessa forma, o produtor rural pode garantir um lucro significativo ano após ano, apesar de as condições econômicas do país nem sempre serem favoráveis.

Certamente, esse é um dos produtos agrícolas mais bem absorvidos pelo comércio exterior. Mas antes de ver como começar a exportar soja, vamos entender quais são as variedades mais comuns e aceitas no mercado internacional.

Quais são os tipos de soja mais aceitos pelo mercado?

São cerca de 500 cultivares disponíveis hoje no mercado. Por isso, a escolha pode ficar um pouco confusa. Esse, porém, é o primeiro passo e uma das principais decisões que o sojicultor precisa tomar para começar a exportar soja. Afinal, o tipo de semente selecionada pode impactar tanto a remuneração quanto a produtividade da safra. Então, leve em conta alguns fatores:

A região

Verifique se a variedade é adaptada à sua região. Você pode consultar o relatório anual divulgado pelo Ministério da Agricultura, que define a lista de cultivares usados pelos sojicultores de cada parte do país.

O ciclo

Avalie o ciclo das cultivares tendo em vista o sistema de plantio que será adotado. Talvez você empregue um esquema de rotação de culturas. Nesse caso, as safras precisam ser conciliáveis. Ao produzir o milho safrinha, por exemplo, o ideal é escolher variedades de soja com um ciclo mais precoce.

A qualidade da semente

Opte por cultivares mais resistentes. Sementes mais vigorosas, por exemplo, geralmente têm raízes profundas, sendo menos vulneráveis a períodos de estiagem.

O tipo de semente

Existem no mercado dois tipos de sementes:

  • convencional: não têm modificações genéticas, ou seja, são naturais;

  • transgênica: são modificadas geneticamente para serem mais resistentes a pragas e herbicidas.

Entre as geneticamente modificadas, ou transgênicas, temos duas variedades principais:

  • tipo RR: resistentes ao herbicida glifosato;

  • tipo RR2: resistentes a lagartas da soja.

Por que levar isso em conta é importante? As sementes convencionais — ou não transgênicas — são economicamente mais interessantes, uma vez que podem ser comercializadas por valores mais altos. Nos mercados europeu e japonês, por exemplo, a soja convencional é muito valorizada.

Por outro lado, o consumo e o plantio do transgênico é até proibido em alguns países. A França e a Alemanha, por exemplo, resolveram banir os alimentos geneticamente alterados. Dessa forma, o sojicultor que visa a exportação precisa dar atenção a essa questão.

Como começar a exportar soja?

Conhecimento é o grande segredo para o exportador iniciante. Afinal, vender para o comércio internacional não é uma tarefa fácil. Ainda existem muitos obstáculos que dificultam um pouco a inserção nesse mercado. Por isso, separamos aqui algumas dicas:

Conheça o mercado para onde vai exportar

Fazer uma análise cuidadosa do mercado estrangeiro vai ajudá-lo a entender quais são os requisitos legais e fitossanitários necessários para ser aceito pelo país de destino.

O Ministério da Agricultura apresenta uma lista de requisitos dos principais países que importam do Brasil. Uma outra forma é contatar o comprador para se informar sobre as regras de comercialização de produtos agrícolas para aquela região.

Não deixe o planejamento financeiro de lado

A falta de planejamento financeiro é um dos principais motivos que levam os negócios a interromperem processos de exportação. Então, tenha certeza de que terá condições de suprir a demanda dos seus clientes internacionais.

Atenção aos registros e ao canal de exportação

Para exportar grãos de soja, entre outros produtos de origem vegetal, é preciso se cadastrar no Serviço de Inspeção e Sanidade Vegetal do seu estado, sendo necessário estar adequado aos regulamentos de supervisão técnica. Além disso, para qualquer tipo de exportação o negócio deve fazer um credenciamento na Receita Federal.

Serão necessários também outros registros em virtude das necessidades de transporte de cargas. Por exemplo, você deve:

  • cadastrar-se no Departamento de comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;

  • apresentar o Registro de Exportação, a Nota Fiscal e o Comprovante de Exportação;

  • apresentar o documento emitido pela companhia que fará o transporte da carga, conhecido como Conhecimento de Embarque ou Transporte.

Por fim, antes de exportar, você precisará se cadastrar por meio do portal Siscomex para obter o Registro de Exportadores e Importadores da Secretaria de Comércio Exterior (REI) — sistema gerenciado pelo Governo Federal. Aprovado o registro, você poderá optar por dois tipos de exportação:

  • direta: o próprio produtor ou funcionário contratado por ele gerencia todo o processo de exportação;

  • indireta: exportação feita por companhia ou em associação com outros exportadores, uma boa opção para pequenos sojicultores — como exemplos temos as trading companies, consórcios de exportação e outras empresas exportadoras.

Não esqueça de calcular as taxas para exportar soja

É preciso ficar atento aos impostos que incidirão na operação, conforme o que estipular seu estado de origem. Além disso, informe-se sobre as taxas de importação impostas pelo país de destino e avalie qual é a viabilidade econômica da operação.

Realmente, são muitos detalhes que precisam ser levados em conta. No entanto, saber como começar a exportar soja e ingressar no mercado internacional vai elevar seu negócio a outro patamar de rentabilidade.

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