Como encontrar mão de obra qualificada no campo? | Tecnologia para agricultura - Blog da Jacto

Como encontrar mão de obra qualificada no campo?

Segundo uma projeção realizada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o produto interno bruto (PIB) do agronegócio deverá crescer 2% em 2017. Isso é quase o dobro do que se espera para o desempenho da economia do país no mesmo período.

As novas tecnologias aplicadas ao setor têm contribuído para a expansão das atividades do produtor rural. Por outro lado, essas ferramentas demandam uma qualificação profissional difícil de ser encontrada longe dos grandes centros.

Por isso, muitos empregadores vivem o dilema de encontrar mão de obra qualificada no campo. Qual é a solução? Preparamos este post para mostrar o que tem sido feito na busca por profissionais rurais capacitados. Confira!

O que aconteceu com a mão de obra no campo?

A escassez de mão de obra no campo começou a acontecer desde a metade do século passado. Especialmente com o grande investimento no desenvolvimento industrial do país ocorrido durante o governo de Juscelino Kubitschek, na década de 60, muitas famílias migraram do interior para as grandes cidades em busca de emprego e melhores condições de subsistência.

Esse fenômeno continuou forte até a década de 80, pelo menos. Segundo um estudo produzido e divulgado em parceria com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), em 1980, 30% das pessoas que viviam no campo na década de 70 tinham migrado para as grandes cidades.

Como resultado, de acordo com o último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 16% da população brasileira tem vivido no campo — esse número era 54% em 1960.

Embora os índices de migração tenham diminuído radicalmente nos anos 2000, o êxodo rural continua sendo um problema persistente que afeta de forma profunda as famílias e os produtores rurais. E quais são os motivos?

Além das melhores condições de vida que as metrópoles oferecem, essas cidades também apresentam oportunidades de emprego em outros setores mais bem-remunerados e atraem jovens que não encontram no campo uma formação acadêmica adequada. Eles saem para as cidades e, em sua maioria, nunca voltam.

Existe ainda outro fator: muitos trabalhadores do meio rural são atraídos pela construção civil. Segundo Eduardo Nogueira, diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Ribeirão Preto (Sinduscon), 40% dos funcionários do setor que atuam nessa cidade do interior paulista vieram do campo. Um dos principais motivos é o salário, fazendo com o que o trabalho rural perdesse seu espaço.

Com a mecanização dos meios de produção, o problema passou a ser maior do que simplesmente não ter trabalhadores. Muitas máquinas apresentam recursos avançados, como computador de bordo e GPS, e faltam profissionais qualificados que saibam usar essas tecnologias da maneira correta.

Esse processo é um fenômeno socioeconômico que causa grande impacto no desenvolvimento do país. Será possível mudar esse quadro? É o que veremos agora!

É possível reverter a situação?

É preciso compreender que os problemas relacionados à diminuição de mão de obra no campo estão diretamente ligados à falta de valorização desses profissionais. É comum que esses trabalhadores atuem sem registro ou vínculo empregatício, o que faz com que fiquem privados dos seus direitos de cidadãos.

Além disso, eles acabam sendo remunerados por produção, levando-os a aceitar longas jornadas, sem falar no tempo que gastam no trajeto. Como em algumas culturas a atividade está relacionada a uma época específica para a “panha” ou colheita, o trabalho acaba sendo sazonal. Dessa forma, não há garantias de que haverá fonte de renda durante todo o ano.

Em resultado disso, os empregadores rurais também são prejudicados não só com a evasão de mão de obra no campo, mas também com ações trabalhistas e penais. E, em situações mais graves, o nome do produtor pode inclusive ser vinculado à lista dos que usam um regime de trabalho tido como escravo no Cadastro de Empregadores, criado pelo Ministério do Trabalho.

Para evitar isso e contribuir para o crescimento do agronegócio, é preciso investir em soluções que visam a melhoria das condições de trabalho e da qualidade de vida na zona rural. A situação começa a mudar quando existem iniciativas, sejam privadas ou públicas, de incentivar os produtores a contratarem conforme a lei trabalhista.

Algumas dessas ações envolvem o uso de modalidades legais de contração de mão de obra, como:

  • criação de cooperativas;
  • formação de consórcios de empregadores rurais;
  • contrato de safra;
  • contrato por prazo indeterminado.

Além das iniciativas na legalização do vínculo empregatício, é importante garantir que haja benefícios como alimentação e transporte. Não se deve esquecer ainda a necessidade de investir em treinamento e logística, o que envolve o deslocamento dos trabalhadores até o local da realização das atividades.

Com isso, o trabalho no campo passa a ser mais atrativo para jovens e adultos que buscam uma renda mensal previsível e vantagens que possam trazer benefícios às suas famílias.

Falando em treinamento, vamos entender um pouco sobre como isso é possível!

Como capacitar o trabalhador?

Os meios de produção e as tecnologias que auxiliam nas atividades rurais evoluíram. Apesar disso, é comum encontrar profissionais manuseando máquinas sem o devido treinamento. Muitas vezes, porém, é difícil encontrar trabalhadores que estejam aptos a operar essas novas ferramentas. De qualquer forma, é necessário capacitá-los para que retirem todo o potencial dos equipamentos.

Sem isso, o resultado é a baixa produtividade e a má qualidade do trabalho. Além do mais, a falta de treinamento pode levar a acidentes e a graves prejuízos à saúde do trabalhador.

Em conformidade com isso, a Norma Regulamentadora nº 12 determina que máquinas e outros equipamentos devem ser operados por profissionais habilitados. Essa capacitação deve ser fornecida pelo empregador e precisa orientar os profissionais não só no uso do maquinário, como também na utilização dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual).

Para seguir essas orientações, uma das opções mais viáveis para os produtores rurais são os cursos técnicos e profissionalizantes, que podem fornecer a base teórica e prática necessária a fim de que os trabalhadores exerçam suas funções de modo seguro e produtivo.

No agronegócio, existem diversas áreas para capacitação, como:

Muitas empresas que fornecem as tecnologias oferecem também o treinamento necessário para utilizá-las, e o empregador pode e deve aproveitar isso.

A capacitação é fundamental para a mão de obra no campo. Além de aumentar a produtividade da unidade do produtor rural, melhora as condições de trabalho e a remuneração, atraindo ainda mais profissionais.

Gostou deste post? Então, compartilhe essas informações nas suas redes sociais e contribua para o crescimento do agronegócio no nosso país!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Share This