Adubação do solo: veja como fazer do jeito certo no seu negócio!

Como fazer a adubação do jeito certo?

Uma adubação do solo benfeita não é o mesmo que aplicar doses altas de fertilizantes na lavoura. Além da quantidade, é muito importante conhecer as necessidades de cada cultivo, a variabilidade do solo e os métodos de aplicação.

Nas últimas décadas, a agricultura se modernizou bastante com técnicas como a agricultura de precisão e o sistema de semeadura direta. Os implementos agrícolas utilizados também estão bem mais avançados, permitindo uma grande automatização do processo. Todas as mudanças acabam refletindo na adubação — uma área que também está evoluindo.

Neste artigo vamos explicar melhor como essa prática está se modernizando, as diferenças entre os métodos e as técnicas e como fazer a adubação do jeito certo. Acompanhe!

Adubação do solo e a sua importância na produção

Para o bom desenvolvimento da planta, é fundamental que ela tenha à sua disposição uma quantidade suficiente de nutrientes. Muitos desses serão absorvidos do solo, mas muitos solos sofrem com baixa fertilidade. O que isso significa? Nesse caso, não há a presença significativa dos nutrientes básicos para a planta crescer de forma saudável, o que inclui magnésio, cobre, zinco, ferro, enxofre e, sobretudo, nitrogênio, fósforo e potássio.

Quando o solo não consegue suprir por si só as necessidades nutricionais da planta, é necessário inserir os nutrientes por meio de adubos ou fertilizantes.

Adubos orgânicos

Os adubos orgânicos vêm de fontes naturais, como restos de plantas, estercos de animais, farinha de ossos, ação de microrganismos e minhocas. Também há os adubos verdes, que são restos de outras plantas, normalmente leguminosas plantadas juntamente à cultura principal. A palhada desses vegetais é rica em nutrientes úteis para outras plantas.

Adubos minerais

Os fertilizantes minerais ou não orgânicos são originados de minérios e também são conhecidos como sintéticos, pois passam por um processo industrial para extrair os nutrientes de impurezas.

As vantagens desses tipos de fertilizantes na adubação do solo são a rápida absorção pelas plantas e uma concentração maior de nutrientes. Também é mais fácil para o produtor calcular a quantidade certa de nutrientes que cada medida contém, pois isso já vem especificado no rótulo do produto.

Adubação, fertilidade e produtividade

Vale ressaltar que embora a fertilidade, a produtividade e a adubação do solo sejam conceitos intimamente ligados, eles não são a mesma coisa. A adubação promove a boa fertilidade do solo, mas a produtividade da lavoura é afetada por diversos fatores — a fertilidade é um deles.

Isso significa que nem sempre um solo fértil vai gerar uma safra produtiva, mas uma lavoura com boa produtividade sempre virá de um solo com alta fertilidade.

Outros fatores que afetam a produtividade são o tipo de manejo realizado, as características da planta e as condições climáticas. Uma lavoura de milho de duas safras consecutivas pode ter níveis diferenciados de produtividade, ainda que o grau de fertilidade do solo seja o mesmo. Isso acontece porque a segunda safra pode sofrer com déficit hídrico decorrente da estiagem — condição climática adversa para muitas culturas.

Adubação do solo e sistemas de produção

O sistema de produção consiste em um conjunto de técnicas adotadas no manejo da lavoura e está ligado a um processo de gestão. Nesse sentido, os sistemas podem ser classificados da seguinte forma.

Monocultura

Uma variedade é cultivada de forma isolada em determinado período, conhecido como ano agrícola.

Sucessão de culturas

Pelo menos duas espécies intercalam de forma sucessiva no mesmo espaço de plantio por vários anos — por exemplo, soja na primavera e no verão, e o trigo no outono e no inverno.

Consorciação de cultura

Duas ou mais culturas ocupam a mesma área simultaneamente.

Sistema de integração

O cultivo compartilha espaço com outras atividades, como floresta, pecuária e agricultura.

Rotação de culturas

As culturas se alternam de forma ordenada, como que rotacionando no talhão.

Essas diferenças de manejo afetam a adubação do solo. Na maior parte dos casos, a fertilização vai focar nas culturas mais exigentes. Além disso, alguns tipos de manejo, existem menos intervenções em termos de adubação, uma vez que os restos vegetais remanescentes de uma cultura podem suprir parcialmente a carência nutricional de outra espécie.

Assim, a adubação em sistemas de produção não visa às exigências nutricionais de apenas uma cultura específica, mas leva em conta as particularidades de todo o sistema em que essa cultura está inserida.

A agricultura foi muito beneficiada pelo avanço tecnológico, e a adubação do solo foi uma das operações otimizadas por meio dos novos recursos, como veremos a seguir.

Adubação na era da agricultura de precisão

Entre as muitas técnicas e tecnologias que transformaram o campo nas últimas décadas, a chamada agricultura de precisão (AP) é uma das que mais impactou a forma como a adubação é realizada nas lavouras.

Na agricultura de precisão, os produtores utilizam da tecnologia para mapear e compreender as variabilidades do solo, o que permite uma dosagem bem mais certeira de fertilizantes e defensivos agrícolas.

Além de reduzir dramaticamente os custos e desperdícios com insumos, a agricultura de precisão favorece a produtividade, pois a superdosagem de um fertilizante pode, por exemplo, devastar parte da lavoura e causar prejuízos ao produtor.

Com a agricultura de precisão, isso é mais improvável: com informações precisas dos nutrientes presentes do solo, o produtor pode dosar de forma exata os adubos que vão favorecer determinada cultura.

Para realizar esse mapeamento do solo, a agricultura de precisão faz uso de máquinas agrícolas modernas equipadas com GPS e também dos sistemas de informação geográfica (SIG), que hoje já são feitos especialmente para o uso na AP.

A grande vantagem da agricultura de precisão é que, por promover decisões mais exatas com base em dados reais, ela reduz muito o risco da atividade agrícola, evitando que uma mesma lavoura apresente resultados irregulares ao longo de sua extensão.

Por essa razão, a AP é vista não só como o uso de uma tecnologia no campo, mas como um sistema de gestão da produção agrícola, que aumenta o potencial produtivo e reduz gastos com insumos e impactos no meio ambiente.

Ao contar com o auxílio de equipamentos tecnológicos, o produtor rural consegue otimizar a aplicação de fertilizantes na lavoura, garantindo mais eficiência.

Adubação no sistema de semeadura direta

Segundo dados da Embrapa, hoje, quase 70% das áreas cultivadas com soja e milho utilizam o chamado sistema de semeadura direta (SSD) — uma forma de manejo conservacionista em que o impacto da atividade agrícola sobre o solo é reduzido.

No sistema de semeadura direta, a palhagem e os restos vegetais de culturas passadas são deixados na superfície do solo, o que proporciona uma cobertura que não só evita processos danosos como a erosão, mas também enriquece o solo com matéria orgânica, reduzindo a necessidade da aplicação de fertilizantes.

O solo só é manipulado na hora efetiva da semeadura, e ainda assim, de forma bem mais superficial: as semeadeiras específicas para o plantio direto têm discos que cortam a palhada e permitem o depósito de adubo e sementes nos sulcos.

Ao mesmo tempo, as colhedeiras utilizadas no SSD já picam a produzem a cobertura vegetal que vai proteger o solo. Com o SSD, a compactação do solo também é reduzida, o que facilita a infiltração de água e a consequente movimentação de nutrientes.

Como não existe um trabalho prévio no solo, no SSD a adubação costuma ser realizada em dois métodos: direto na linha de semeadura ou a lanço, sobre o solo.

Diferenças entre adubação a lanço e na linha de semeadura

A escolha do método utilizado para a fertilização é muito importante para obter bons resultados na lavoura. Entre as várias técnicas disponíveis, vale a pena destacar duas delas: a adubação a lanço e a de semeadura.

A adubação a lanço é aquela realizada na superfície do solo, com a utilização de adubadoras com sistema de distribuição a lanço. Já a adubação direta na linha é quando os fertilizantes já são introduzidos na linha do sulco da semeadura.

Ambos os métodos contam com vantagens e desvantagens. Na adubação na linha de semeadura, os fertilizantes são aplicados ao mesmo tempo em que a semeadura é realizada, com a utilização de uma semeadora-adubadora, capaz de executar esse processo.

Na adubação a lanço, o trabalho é realizado antes mesmo da semeadura, antecipando a aplicação total ou parcial de nutrientes requeridos em uma cultura.

A consequência é que o processo de semeadura será bem mais rápido, pois a semeadora-adubadora não precisará realizar tantas paradas para abastecimento.

Essa otimização tem consequências diretas na produtividade: o atraso no plantio de safrinha, por exemplo, pode comprometer o seu desenvolvimento e reduzir sua produção final. Logo, o sistema de adubação a lanço é cada vez mais adotado.

Uma desvantagem desse método é em relação ao fósforo. Esse componente é essencial para o desenvolvimento das plantas, transformando hidratos de carbono em açúcares. O fósforo tem baixa mobilidade no solo, especialmente naqueles mais argilosos. Isso faz com que o fertilizante aplicado a lanço fique retido na fase sólida e inerte, ou seja, não é absorvido pelas plantas.

Por isso, no longo prazo, fazer a fertilização com fósforo a lanço pode ser um problema. Inclusive, se a concentração dele for muito elevada no solo, pode acontecer do micronutriente zinco se tornar indisponível.

Riscos de uma adubação não apropriada

Não existe uma receita para uma boa adubação. Para ter sucesso aqui, é importante ter conhecimento sobre os métodos de aplicação e os produtos que serão utilizados para esse processo. Do contrário, o produtor poderá sofrer prejuízos com a operação.

Esquecer de analisar os níveis de fertilidade do solo

Sem a correta análise dos níveis de fertilidade do solo, o investimento em adubação poderá ter pouco valor. Se os níveis de nutrientes do solo já estiverem elevados, a adubação não impactará de forma significativa os resultados da safra, de modo que a lucratividade no curto prazo não será tão alta quanto o esperado — isso pode representar grandes perdas financeiras.

Utilizar pouca quantidade de fertilizantes fosfatados

Outro cuidado reside nos fertilizantes fosfatados. Esse nutriente se fixa a outros componentes do solo, e parte dele fica indisponível para a planta. Isso exige que maiores volumes tenham que ser aplicados para ser aproveitados pelas plantas.

Não se preocupar com a qualidade dos produtos

Buscar fertilizantes de boa procedência e qualidade é sempre relevante. A oferta é muito grande no setor, e o produtor não pode ter como parâmetro apenas o preço. Assegure-se de que o fornecedor trabalhe conforme a legislação vigente, informada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Atente-se a outras características dos produtos, como densidade, fluidez, granulometria, concentração dos nutrientes e quaisquer compostos nocivos presentes no fertilizante. O fornecedor precisa informar todos esses detalhes.

Não seguir as recomendações do agrônomo

É necessário seguir sempre as recomendações de um profissional agrônomo para garantir que o produto e o volume aplicados sejam os mais adequados para a sua lavoura.

Com base nas peculiaridades das plantas, do sistema de produção e da análise do solo, o especialista será capaz de quantificar que tipos de nutrientes serão necessários e qual é o volume mais adequado. Esse cálculo é fundamental para garantir o bom aproveitamento do investimento, uma vez que são insumos de alto custo.

Ignorar as soluções da agricultura de precisão

Outra dica é fazer uso dos equipamentos e procedimentos da AP para aprimorar os resultados. Com a agricultura de precisão, é possível conhecer melhor a variabilidade do solo da lavoura e, assim, aplicar somente os insumos necessários nas quantidades exatas para potencializar o cultivo, evitando superdosagens e/ou descuido com áreas específicas da lavoura.

Não adotar um sistema de semeadura direta

O sistema de semeadura direta também é um grande aliado da adubação, pois permite que os nutrientes do solo sejam mais bem aproveitados, aprimorando os resultados.

Não realizar o manejo de nutrientes

Lembre-se que a manutenção da fertilidade do solo e a capacidade de absorção de nutrientes não dependem apenas do manejo da adubação. É preciso dar atenção a outros aspectos, como características físicas e biológicas do solo. 

Será que as condições físicas do solo estão permitindo um bom crescimento radicular para viabilizar uma absorção satisfatória dos nutrientes? Uma adubação do solo malfeita sempre será sentida na produção. Cultivos podem definhar ou produzir menos se faltarem os nutrientes certos, mas além de ser um desperdício, o excesso desses fertilizantes também pode acarretar prejuízos ao solo e deficiência de nutrientes em cultivos posteriores.

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