fungicida sistêmico e de contato

Fungicida sistêmico e de contato: o que são e suas diferenças

Fungos são ameaças que podem oferecer riscos sérios a qualquer tipo de cultura, desde grãos como a soja até culturas perenes, como o café, citros e outras frutíferas. Para combater esse tipo de praga, é importante saber a diferença entre fungicida sistêmico e de contato, de forma a entender quando cada um deles precisa ser utilizado e quais são os critérios para a aplicação.

Como qualquer outro tipo de defensivo agrícola, um fungicida deve ser aplicado com responsabilidade e seguindo sempre a orientações do engenheiro agrônomo responsável. Cabe ao produtor se informar bem sobre o tipo de fungo que está enfrentando e quais são as técnicas e os produtos mais adequados no manejo.

Neste artigo vamos explicar quais são as diferenças entre o fungicida sistêmico e de contato e quando é mais recomendável a aplicação de cada um. Confira!

O que são fungicidas de contato?

Também chamados de fungicidas preventivos ou protetores, os fungicidas de contato são defensivos utilizados para impedir a contaminação da lavoura e combater espécies de fungos com ação mais superficial.

No geral, o fungicida de contato é utilizado quando o produtor já sabe do risco real de infecção devido a ocorrência simultânea dos três fatores que compõem o triangulo da doença: a presença de inóculo viável do fungo, a cultura ser suscetível e as condições ambientais forem adequadas à infecção. Quanto ao inóculo, pode ser suficiente a observação do histórico da presença do fungo na área, os riscos de introdução vindo de outras áreas ou a presença da doença em áreas vizinhas. Quanto às condições ambientais favoráveis para a maioria dos fungos, está o tempo chuvoso e temperatura amena.

Os fungicidas de contato permanecem na superfície das plantas e é comum que o produto deixe resíduos visíveis onde são aplicados. Em muitos casos, é adequado reaplicar o fungicida protetivo após certo período de tempo, especialmente após chuvas que possam lavar o produto ou quando a planta se desenvolver, uma vez que folhas novas não estarão protegidas pelo produto.

É preciso atentar para a aplicação das doses recomendadas: assim como outras pragas, os fungos podem desenvolver resistência ao defensivo, comprometendo a eficiência do produto no controle e inviabilizando o seu uso em aplicações futuras. Portanto, é preciso seguir as orientações do engenheiro agrônomo responsável.

O que são fungicidas sistêmicos?

Enquanto os fungicidas de contato são depositados e permanecem na parte externa dos tecidos das plantas, os fungicidas sistêmicos agem de forma mais profunda, se infiltrando em folhas, caules e sementes e combatem fungos que já estejam atacando o interior de uma planta. Por essa razão, fungicidas sistêmicos também são conhecidos como fungicidas de infiltração ou de absorção.

Existem diversas categorias de fungicidas sistêmicos, que normalmente estão associadas ao tipo de mobilidade do produto e à forma como ele se alastra pela planta — além dos fungos que combatem. Espera-es que composto seja assimilado rapidamente e afete apenas o invasor, deixando os tecidos do hospedeiro intactos.

Além de eliminar os fungos que atacam a parte interna das plantas, os fungicidas sistêmicos, quando degradam, geram resíduos que são tóxicos aos invasores, o que impede o retorno da infecção. Apesar de geralmente serem utilizados de forma curativa, esses fungicidas também têm uma propriedade preventiva.

Fungicida sistêmico e de contato: qual deles escolher?

Na verdade, a definição entre um fungicida sistêmico e de contato não é exatamente uma escolha do produtor. Para definir qual tipo de produto será aplicado, é importante entender com clareza as características da cultura, do clima, do terreno e, é claro, dos fungos que serão combatidos.

Apesar de ser uma categoria de ser vivo totalmente diferente, o Reino Fungi — classificação científica dos fungos, cogumelos e bolores — tem algumas semelhanças com o Reino Plantae — em que estão classificadas todas as plantas.

Fungos se alastram por esporos, que são como sementes: uma vez implantadas em um local com condições favoráveis, se desenvolvem e alastram pelo ambiente — que pode ser outro ser vivo, como uma planta, um animal, ou mesmo outros tipos de fungos. Até os fungicultores, que cultivam cogumelos comestíveis, precisam tomar cuidados para evitar esse tipo de ameaça.

Independentemente de serem de contato ou sistêmicos, os fungicidas podem operar de diferentes formas. Alguns causam danos às membranas celulares dos fungos, inativando enzimas e proteínas essenciais para o seu desenvolvimento. Outros inibem a produção de esterol ou quitina, prejudicando o metabolismo do invasor. Ainda existem aqueles que inibem a formação de células na divisão celular.

Novos tipos de fungicida agem de forma indireta, induzindo as plantas ameaçadas a produzir defensivos naturais. No entanto, esse tipo de produto ainda tem uma aplicação limitada, por isso é pouco utilizado.

Para definir qual fungicida aplicar, é preciso entender qual é a ameaça e selecionar o defensivo mais adequado, que será mais eficaz para o combate do fungo. Isso não significa que o produtor precisa esperar a praga chegar para começar a agir. Com o conhecimento da sua cultura, da região e do clima, é possível antecipar qual espécie de fungo tem mais chances de se proliferar pela lavoura e já investir em proteções.

Em um primeiro momento, o mais indicado são os fungicidas de contato, pois eles formam uma barreira química que impede a contaminação das plantas. No entanto, como já foi dito, é preciso ter atenção para não utilizar o produto errado, já que muitos defensivos podem ser agressivos para determinadas culturas.

Essa utilização preventiva pode evitar muitas pragas, mas nem todas. Quando uma planta já foi contaminada de forma profunda, é preciso utilizar um fungicida sistêmico com propriedades curativas.

O produto agirá não apenas na superfície da planta, mas em toda sua estrutura interna, combatendo o fungo e, muitas vezes, evitando o seu retorno — o que é chamado de capacidade retroativa.

Em alguns casos, pode ser interessante o uso de ambos tipos de fungicida. Na cultura de soja, por exemplo, é comum aplicar fungicidas de contato ao longo do desenvolvimento da planta para garantir seu crescimento saudável. Quando se aproxima o momento da colheita e existem condições climáticas ideais para fungos, como umidade elevada e temperatura alta, é recomendável tratar a cultura com fungicidas sistêmicos — que poderão eliminar ameaças que já estão implantadas profundamente.

Como em qualquer tipo de manejo fitossanitário com o uso de defensivos agrícolas, para lidar com fungicidas é preciso conhecer bem a terra, a cultura, os fungos e os produtos disponíveis. Uma dica é se informar com engenheiros agrônomos especialistas e até mesmo com os próprios fornecedores dos produtos.

Como você utiliza o fungicida sistêmico e de contato na sua lavoura? Deixe um comentário e participe da conversa!

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